Artista
coadjuvante (“suport artist”), um filme não pode existir somente com os
artistas principais. Quem vai servir a mesa, abrir a porta, pilotar o navio? E na música? Quem apoia o solista? Músicos da
banda os “sidemen” (e também “sidewomen”). Com raríssimas exceções, cinema, teatro
e música são apresentados com alguns poucos personagens principais, os
protagonistas, e uns muitos artistas que os apoiam e dão contexto para as ações
que, sem eles, poderiam até parecer sem sentido ou não representar aquilo que o
autor desejava demonstrar.
Talvez o
Jazz seja, nesse sentido, o estilo musical mais “democrático” da música. Sua
estrutura de apresentação em geral - tema, giro de solistas, tema e final - dá
oportunidade a que cada um dos músicos possa ser protagonista por alguns
compassos. Mesmo nos casos em que o conjunto está apoiando um grande artista, sempre
existirão momentos para os “sidemen” brilharem ainda que por pouco tempo.
O exemplo
típico dessa figura de “sideman” no jazz é aquele que em sua biografia vão
surgindo os nomes dos músicos com quem
se apresentou... “tocou com o Oscar Peterson, Miles Davis, Benny Goodman”, músicos estes que não
precisamos nem dizer “que apito” tocam, são consagrados, já se sabe quem são e em
que instrumento.
Med Flory
Med Flory parecia ser um grande exemplo de “sideman”,
sua biografia era: “músico com forte influência do estilo Bebop de Charlie Parker
(The Bird), nos anos 1950, tocou clarinete
e sax alto com Claude Thornhill... sax tenor com Woody Herman.... e.. (afinal) montou sua banda, 2 anos depois
mudou-se para a Costa Oeste (leia-se Los Angeles – Califórnia), quando sua “big
band” abriu o primeiro “Festival de Monterey”...
Med Flory na Série de TV "Maverick"
Mas Flory começou uma nova carreira na
California, nos 1960. Participou com sucesso em Shows de TV e Cinema, como
coadjuvante! Sem abandonar a música, gravou sax barítono com Art Pepper e Woodie Herman, que estavam tocando arranjos de solos famosos de Charlie Parker. Surgiu então um
interesse grande no assunto. Flory
passa a transcrever solos de Parker.
Em 1972 veio a oportunidade da coprodução de um famoso trabalho com os solos de
Parker harmonizados com nada menos
que 2 sax alto, 2 sax tenor e 1 barítono. O álbum “Supersax
Plays Bird”, ganhou Grammy Award.
Usando o formato, lançou mais 4 álbuns ao longo dos anos 1970.
Em 1983 Flory adicionou 6 vozes ao supersax, e
co-produziu o álbum “Supersax & L.A. Voices” Vol 1 com mais 2 lançados nos anos seguintes. O próprio Flory
tocando sax alto e cantando a voz barítono. Esses “co-artistas” estavam acompanhados por um também “co-solista”
Conte Candoli no trompete e
secundados por uma sessão rítmica de piano, baixo e bateria. Todos juntos tocam canções com solos de Charlie Parker e Med Flory que
assinou alguns dos solos, harmonizados com 5 saxes e 6 vozes.
A experiência
supersax e supervoices rendeu também registros de apresentações ao vivo até
1999. É necessário extremo talento para se tocar em grupo harmonizado fora do
conforto de um estúdio com seus truques.
Med Flory: sidemen que construiu uma obra! nos deixou em março de 2014 e não
deixou discípulos.
Escolhi para vocês:
Uma "seleta" do SuperSax e L A Voices. - Spotify e
Uma apresentação ao vivo mais recente no Festival de Jazz North Sea
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Nota: Este Post foi inspirado nas observações de meu amigo e colega Thiago Schulze, durante a gravação da edição no. 15 do programa "Estação Jazz", em que apresentamos o Supersax & L A Voices.






Muito Bom...
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