domingo, 9 de setembro de 2018

SUPERSAX, SUPERVOCALS – O Solista não compareceu!



Artista coadjuvante (“suport artist”), um filme não pode existir somente com os artistas principais. Quem vai servir a mesa, abrir a porta, pilotar o navio?  E na música? Quem apoia o solista? Músicos da banda os “sidemen” (e também “sidewomen”). Com raríssimas exceções, cinema, teatro e música são apresentados com alguns poucos personagens principais, os protagonistas, e uns muitos artistas que os apoiam e dão contexto para as ações que, sem eles, poderiam até parecer sem sentido ou não representar aquilo que o autor desejava demonstrar.

Talvez o Jazz seja, nesse sentido, o estilo musical mais “democrático” da música. Sua estrutura de apresentação em geral - tema, giro de solistas, tema e final - dá oportunidade a que cada um dos músicos possa ser protagonista por alguns compassos. Mesmo nos casos em que o conjunto está apoiando um grande artista, sempre existirão momentos para os “sidemen” brilharem ainda que por pouco tempo.

O exemplo típico dessa figura de “sideman” no jazz é aquele que em sua biografia vão surgindo os nomes dos músicos com quem se apresentou...  “tocou com o Oscar Peterson, Miles Davis,  Benny Goodman”, músicos estes que não precisamos nem dizer “que apito” tocam, são consagrados, já se sabe quem são e em que instrumento.

Med Flory

Med Flory parecia ser um grande exemplo de “sideman”, sua biografia era: “músico com forte influência do estilo Bebop de Charlie Parker (The Bird), nos anos 1950, tocou clarinete e sax alto com Claude Thornhill...  sax tenor com Woody Herman.... e.. (afinal) montou sua banda, 2 anos depois mudou-se para a Costa Oeste (leia-se Los Angeles – Califórnia), quando sua “big band” abriu o primeiro “Festival de Monterey”...

Med Flory na Série de TV "Maverick"

Mas Flory começou uma nova carreira na California, nos 1960. Participou com sucesso em Shows de TV e Cinema, como coadjuvante! Sem abandonar a música, gravou sax barítono com Art Pepper e Woodie Herman, que estavam tocando arranjos de solos famosos de Charlie Parker. Surgiu então um interesse grande no assunto. Flory passa a transcrever solos de Parker. Em 1972 veio a oportunidade da coprodução de um famoso trabalho com os solos de Parker harmonizados com nada menos que 2 sax alto, 2 sax tenor e 1 barítono. O álbum  Supersax Plays Bird”, ganhou Grammy Award. Usando o formato, lançou mais 4 álbuns ao longo dos anos 1970.

Em 1983 Flory adicionou 6 vozes ao supersax, e co-produziu  o álbum “Supersax & L.A. Voices” Vol 1 com mais 2 lançados nos anos seguintes. O próprio Flory tocando sax alto e cantando a voz barítono.  Esses “co-artistas” estavam acompanhados por um também “co-solista” Conte Candoli no trompete e secundados por uma sessão rítmica de piano, baixo e bateria. Todos juntos tocam canções com solos de Charlie Parker e Med Flory que assinou alguns dos solos, harmonizados com 5 saxes e 6 vozes.

A experiência supersax e supervoices rendeu também registros de apresentações ao vivo até 1999. É necessário extremo talento para se tocar em grupo harmonizado fora do conforto de um estúdio com seus truques.

Med Flory: sidemen que construiu uma obra! nos deixou em março de 2014 e não deixou discípulos.

Escolhi para vocês: 
Uma "seleta" do SuperSax e L A Voices. - Spotify e
Uma apresentação ao vivo mais recente no Festival de Jazz North Sea






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Nota: Este Post foi inspirado nas observações de meu amigo e colega  Thiago Schulze, durante a gravação da edição no. 15 do programa "Estação Jazz", em que apresentamos o Supersax & L A Voices. 



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