quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Dia da Criança – Tempo de educar o ouvido



Naquele tempo

Antigamente, os adultos eram os grandes responsáveis pela “educação musical” das crianças, mesmo que não intencionalmente. Tocadores de música sejam rádios, toca-discos, toca-fitas eram muitas vezes um de cada por família. Só uma TV também! Ver TV, ouvir música era uma experiência coletiva. 

Era prerrogativa dos adultos ligar ou desligar um aparelho, fosse qual fosse. Estava fora do alcance senão pela autoridade do adulto por mais algumas razões:
O aparelho estava no alto, uma prateleira ou móvel fora do alcance;
Eram complexos e se operado sem cuidado quebravam;
 Não existiam facilmente programas infantis nem em todos os horários do dia;
O toca-fitas/rádio do carro então, nem se fala!

Tudo fora do alcance físico da criançada, e mesmo dos pré adolescentes.

Com isso as crianças enquanto brincavam ao redor dos adultos e isso acontecia quase o dia inteiro, geralmente  “consumiam” até sem perceber músicas de adultos.

Meus filhos até hoje me lembram com um misto de saudade e alguma ironia quando ouvem uma playlist de minha lavra:  “Pai, eu nasci ouvindo essa música...”

A mudança:

O primeiro grito de liberdade do jugo da “música de adulto” foi na primeira metade dos anos 1960. 

De um lado, lançamento das rádios AM dedicadas aos jovens (Rock and Roll; música jovem italiana e depois a própria Jovem Guarda). De outro a proliferação dos radinhos portáteis de pilha “made in Japan”. Radinhos bem pequenos mas não chegavam a ser “de bolso”, os maiores apelidados de tijolinhos que funcionavam a pilhas que duravam muito tempo.

Depois vieram os minicassetes, mais tarde o Sony walk-man... ipod.

A independência infantil veio mesmo com a internet e os games de vídeo.

Independência e mídia!

Uma criança nascida nos anos 2000 pode chegar à idade adulta com pouca ou quase nenhuma influência das gerações mais velhas no seu gosto musical. 

A música hoje pertence a todos os contextos do mundo infantil, e é customizada para os produtos de mídia. Na minha percepção ela só aparece como coadjuvante  para jogos, filmes, séries, games, shows com dançarinos e até para os intervalos da TV. E algumas mesmo sendo de boa qualidade não são protagonistas. 

A música passou a ter papel secundário todo o tempo. Quase nunca apreciada sozinha. Pouco se sabe sobre seus compositores e intérpretes. 

Dia da Criança

Para comemorar a efeméride, (que nome antiquado!...) trouxe para meus leitores o grupo vocal “Banda de Boca” com trabalho intitulado Mpb para crianças. Ele tem arranjos modernos e harmonizações vocais bem legais de até 6 vozes. As músicas pertencem ao “cancioneiro” brasileiro do século passado. Tem de Acalanto a samba enredo. Aposto que algumas você conhece a letra. 
Mas será que existe uma "música" para adulto e outra para criança?

A Banda de Boca

O grupo é da Bahia, é composto de 6 cantores e já tem quase 20 anos de estrada, tendo lançado 3 CDs. Esse das crianças é de 2008 e teve indicação ao Latin Grammy.

O resgate ou apenas uma isca?

Aproveite o dia das crianças e dê de presente, tocando no seu smartphone mesmo, a playlist abaixo. 
Toque para a(o) seu(ua) filho(a), sobrinho(a), neto(a), bisneto(a), filho(a) de amigo, qualquer pessoa em evolução que mereça conhecer um pouco da boa música que foi feita no século passado. Quem sabe isso despertará nele ou nela interesse em novas escavações arqueológicas no Spotify.




Nota: Propositadamente este texto foi postado sem nenhuma imagem para destacar só a música e não desviar a atenção. ;-)


sábado, 29 de setembro de 2018

INFLUÊNCIAS - diga-me o que ouves...



“You begin to see that music is more than just playing notes. Music is an extension of life. You play what you are. You become emotionally involved. You play what your life has been. If it's been an easy life or a hard life, it all comes out in the music.''
Arvel Shaw (1923 – 2002) (contrabaixista)

trad.: “Você começa a perceber que (tocar) música é mais do que apenas tocar as notas. Música é uma extensão da vida. Você toca o que você é. Você passa a ficar envolvido emocionalmente (pela música). Você toca o que a sua vida tem sido. Se você tem tido uma vida boa ou uma vida difícil, isso vai aparecer na sua música”.

Uma afirmação verdadeira, principalmente em se tratando de músicos de Jazz.
Tocar Jazz requer do músico a improvisação musical que depende outros fatores além da qualidade do artista como instrumentista e sua interação com os demais participantes da execução. São eles, a formação musical (diga-me com quem ou como aprendestes), as experiências anteriores (diga-me com quem tocas...) e também a personalidade, que reflete no “estado de espírito” (diga-me como vives). Acrescentaria também a um “diga-me quem ouvistes”, se o músico é diletante como eu, e não passou a vida “na estrada”.

Não tive músicos em atividade na família. Minhas primeiras influências musicais, vieram das irmãs mais velhas que gostavam de folk music e em seguida, claro, de Beatles. Música clássica que escutava com meu avô materno, que tinha sido violinista profissional, mas estava há muito tempo aposentado da música. 
Vovô Raul dizia: “senta aí menino e vamos educar este ouvido” - com Mozart, Beethoven, Brahms, etc. no almoço do domingo, abria algumas exceções populares: Caymmi (o Dorival), chorinhos, e Francisco José (cantor popular português). A MPB e americanas vieram pelas Rádio Tamoio e Mundial no Rio e Excelsior (SP) através dos radinhos de pilhas ”Spica”. Mais tarde a Jornal do Brasil e a Eldorado passaram a polir um pouco mais a minha apreciação musical.

Comecei a comprar meus próprios discos no ginásio, mas meu interesse por Jazz surgiu apenas a partir das aulas de bateria em 1967. Na escola de música, se dizia que para tocar música popular, rock, pop, fox, bolero, etc., o curso acabaria em 6 meses. Bom mesmo é tocar jazz, bossa nova e ritmos brasileiros que exigem do baterista muito mais...

Foi atrás dessa conversa que voltei meu interesse para esses gêneros e a partir daí iniciei uma pequena discoteca além de procurar assistir a shows ao vivo e pela TV. 

Mas naquele tempo era menor de idade, a mesada não permitia muito. Mas os poucos discos que ia comprando quase furavam de tanto tocar, o que foi muito bom. Ainda tenho todos eles. Com o tempo, minha capacidade de formar uma boa coleção foi crescendo.  
Audição de Formatura do curso de bateria 26/06/1969
com Edgard Cassiano ao piano e Francisco Esteves (Chiquinho)

Minha iniciação no Jazz não ocorreu então como a maioria, pelos grandes do Jazz tradicional. Fui comprando orientado pelo meu mestre Chumbinho que indicou logo grandes trios de jazz do momento: McCoy Tyner trio e Oscar Peterson trio.
A partir dai passei a comprar discos onde participava algum músico que eu já conhecia de outro disco, ou a esmo manuseando as capas e ouvindo nas cabines das lojas Breno Rossi e Hi-fi.

João Rodrigues Ariza, o Chumbinho em 1969

Ofereço hoje aos meus amigos leitores, a oportunidade de fazerem uma análise “psico-musical” desse que vos escreve através dos primeiros discos da minha coleção.

Minhas Primeiras experiências de ouvir Jazz que acredito influenciaram meu grande interesse pela a música e certamente meu estilo de tocar bateria.

Minhas escolhas foram bastante heterogêneas e algumas até exóticas, como vocês poderão ouvir na Playlist que montei no Spotify e agora coloco “no divã”.




O Resultado:

Se você ficou curioso sobre o resultado dessas influências, poderá conferir no dia 27/10, pois o grupo que participo, o Bossa à Beça, irá se apresentar no 20o. Festival de Jazz do Jardim Suspenso da Babilônia, com shows de Jazz em todos os sábados do mês de outubro próximo, na Pousada Jardim Suspenso da Babilônia.

A pousada fica na cidade de Sto. Antonio do Pinhal - SP. (próximo a Campos do Jordão) e o festival acontecerá nos sábados 6, 13, 20 e 27  de outubro.
O nosso dia é o 27 de outubro de 2018

A seguir uma chamada que eu gravei para divulgação.



Procure as referencias no link  www.spamusical.com 

domingo, 9 de setembro de 2018

SUPERSAX, SUPERVOCALS – O Solista não compareceu!



Artista coadjuvante (“suport artist”), um filme não pode existir somente com os artistas principais. Quem vai servir a mesa, abrir a porta, pilotar o navio?  E na música? Quem apoia o solista? Músicos da banda os “sidemen” (e também “sidewomen”). Com raríssimas exceções, cinema, teatro e música são apresentados com alguns poucos personagens principais, os protagonistas, e uns muitos artistas que os apoiam e dão contexto para as ações que, sem eles, poderiam até parecer sem sentido ou não representar aquilo que o autor desejava demonstrar.

Talvez o Jazz seja, nesse sentido, o estilo musical mais “democrático” da música. Sua estrutura de apresentação em geral - tema, giro de solistas, tema e final - dá oportunidade a que cada um dos músicos possa ser protagonista por alguns compassos. Mesmo nos casos em que o conjunto está apoiando um grande artista, sempre existirão momentos para os “sidemen” brilharem ainda que por pouco tempo.

O exemplo típico dessa figura de “sideman” no jazz é aquele que em sua biografia vão surgindo os nomes dos músicos com quem se apresentou...  “tocou com o Oscar Peterson, Miles Davis,  Benny Goodman”, músicos estes que não precisamos nem dizer “que apito” tocam, são consagrados, já se sabe quem são e em que instrumento.

Med Flory

Med Flory parecia ser um grande exemplo de “sideman”, sua biografia era: “músico com forte influência do estilo Bebop de Charlie Parker (The Bird), nos anos 1950, tocou clarinete e sax alto com Claude Thornhill...  sax tenor com Woody Herman.... e.. (afinal) montou sua banda, 2 anos depois mudou-se para a Costa Oeste (leia-se Los Angeles – Califórnia), quando sua “big band” abriu o primeiro “Festival de Monterey”...

Med Flory na Série de TV "Maverick"

Mas Flory começou uma nova carreira na California, nos 1960. Participou com sucesso em Shows de TV e Cinema, como coadjuvante! Sem abandonar a música, gravou sax barítono com Art Pepper e Woodie Herman, que estavam tocando arranjos de solos famosos de Charlie Parker. Surgiu então um interesse grande no assunto. Flory passa a transcrever solos de Parker. Em 1972 veio a oportunidade da coprodução de um famoso trabalho com os solos de Parker harmonizados com nada menos que 2 sax alto, 2 sax tenor e 1 barítono. O álbum  Supersax Plays Bird”, ganhou Grammy Award. Usando o formato, lançou mais 4 álbuns ao longo dos anos 1970.

Em 1983 Flory adicionou 6 vozes ao supersax, e co-produziu  o álbum “Supersax & L.A. Voices” Vol 1 com mais 2 lançados nos anos seguintes. O próprio Flory tocando sax alto e cantando a voz barítono.  Esses “co-artistas” estavam acompanhados por um também “co-solista” Conte Candoli no trompete e secundados por uma sessão rítmica de piano, baixo e bateria. Todos juntos tocam canções com solos de Charlie Parker e Med Flory que assinou alguns dos solos, harmonizados com 5 saxes e 6 vozes.

A experiência supersax e supervoices rendeu também registros de apresentações ao vivo até 1999. É necessário extremo talento para se tocar em grupo harmonizado fora do conforto de um estúdio com seus truques.

Med Flory: sidemen que construiu uma obra! nos deixou em março de 2014 e não deixou discípulos.

Escolhi para vocês: 
Uma "seleta" do SuperSax e L A Voices. - Spotify e
Uma apresentação ao vivo mais recente no Festival de Jazz North Sea






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Nota: Este Post foi inspirado nas observações de meu amigo e colega  Thiago Schulze, durante a gravação da edição no. 15 do programa "Estação Jazz", em que apresentamos o Supersax & L A Voices. 



sábado, 18 de agosto de 2018

FIREHOUSE FIVE – Quando o Jazz pegou fogo


Os pioneiros do cinema (mudo) utilizavam a música para dinamizar a dramatização dos filmes. Ela era executada ao vivo nas salas de projeção por pianistas ou pequenos conjuntos. Algumas produções mais sofisticadas chegavam a enviar guias para os maestros ou até uma música específica para a sala de projeção.

Nos primórdios dos desenhos animados, também se usava a música para turbinar a emoção. Walt Disney e sua equipe utilizaram intensamente a música para aumentar a dinâmica, vejam como  exemplo “Donald Duck 1949 Sea Salts”

Não seria surpreendente o uso do Jazz para isso.

Em 1946 Walt Disney lançou um desenho com o Jazz Standard “After You’ve Gone” na interpretação do Benny Godman Quartet.

A integração entre imagem e música foi espetacular (para a época).Todos os desenhos ainda eram criados e produzidos “à mão” nas pranchetas. Essa exibição sugeria uma capacidade de percepção musical significativa dos desenhistas que criaram o desenho. 

E existia mesmo! Foi confirmada logo nos anos 1950 com o lançamento da banda “Firehouse Five”. Composta quase toda por artistas do departamento de desenho animado Disney, eles se reuniam para tocar Jazz à noite depois do trabalho. Eram diletantes portanto.

A Banda estreou em um especial na TV em 1950 e ficou ativa até 1972 com seus participantes sempre mantendo seus trabalhos diurnos no Disney Studio.

A FIREHOUSE FIVE PLUS TWO lançou nesse período 13 Álbuns, alguns relançados em CD.



A banda dos desenhistas do Walt Disney  fez parte de um grande Revival do Traditional Jazz que ocorreu nos anos 1950. No mundo todo surgiram muitas bandas desse estilo no período.



A Firehouse Five Plus 2  era composta por: (fonte Wikipedia)

Artista
Instrumento
Profissão
Danny Alguire
Cornet
Especialista em digitais da Polícia de Los Angeles
Harper Goff
Banjo
Designer e Criador no Disney Studios
Ward Kimball
Trombone, sirene, pandeiro e líder
Animador Lider
Clarke Mallery
Clarineta

Monte Mountjoy
Bateria

Erdman (Ed) Penner
Sax soprano e baixo, depois tuba
Redator no Disney Studios
Frank Thomas
Piano
Animador Líder no Disney Studios



Jimmy MacDonald
Bateria
Chefe do setor de som
George Probert
Clarineta e Sax Soprano

Dick Roberts
Banjo

Ralph Ball


George Burns
Trombone



Veja o desenho “Donald Duck 1949 Sea Salts”




Veja a performance do Benny Goodman Quartet em After You've Gone - 1946  






Delicie-se com o Firehouse Five plus Two  





sábado, 11 de agosto de 2018

FINESSE, SIMPATIA, TALENTO, FORMAÇÃO MUSICAL, JAZZ = MARIAN McPARTLAND

Quando chegou em Chicago IL, para se lançar no cenário do Jazz em 1945, a pianista Marian tinha poucos “prós”, uma robusta formação musical, influenciada desde cedo pelo piano de TEDDY WILSON, e fã de DUKE ELLINGTON e MARY LOU WILLIAMS e muitos “contras”  a saber: 26 anos, mulher, branca, casada, inglesa, 26 anos... 


Mas ao nos deixar em 2013 aos 93 anos, Marian registrava um legado significativo entre eles:

56 álbuns gravados como solista entre 1951 a 2008.

9 graus honoríficos em educação musical, de universidades americanas, dentre elas da Berklee College of Music.

12 prêmios de música e Jazz, incluindo um Grammy “Trustees Award”, “American Eagle Award”, “Hall of Fame”, etc.

Liderou Trio de Jazz com seu nome, que se apresentou nos anos de 1950 no famoso Hickory House Club, NY tendo como baterista o grande Joe Morello (meu grande ídolo) que depois integraria o The Dave Brubeck Quartet (Take Five)

Estrelou de 1978 a 2011 o PIANO JAZZ, o mais longevo programa “cultural” em uma rádio pública, a NPR (National Public Radio), onde as mais famosas personalidades do Jazz compartilhavam com Marian sua intimidade musical e às vezes a pessoal, tocando e contando suas histórias, influencias, estilo e tocando em dueto. Não raro recebiam da entrevistadora uma composição musical em sua homenagem.

Marian, nasceu Marian Margaret Turner em Windsor, UK a 20/03/1920, de uma família de músicos. Menina-prodígio que tocava valsas de Chopin aos 2 anos de idade, estudou violino por 5 anos e em seguida ingressou na “Guildhall School of Music and Drama” em Londres. Aos 20 anos deixou a escola e passou a integrar um quarteto de pianistas de Vaudeville adotando o nome de Marian Page. O grupo excursionou pela Europa em guerra entretendo as tropas aliadas. Durante a tournée, conheceu em 1944 o cornetista JIMMY McPARTLAND com quem se casou e passando a adotar o sobrenome do marido.
Com Mary Lou Williams

Com o término da guerra o casal McPartland passa a residir em Chicago IL e logo depois NY, onde participavam da vida social e musical recebendo em casa inúmeros músicos amigos de Jimmy. 

Nessa época, Marian McPartland estendeu suas atividades musicais tocando e sendo muito apreciada como musicista. Participa de programas musicais no rádio e na TV, toca com grandes figuras do jazz, e no início dos anos 1960 funda seu próprio selo de discos. 

Não consigo imaginar uma pessoa que tenha circulado e mais que isso, interagido pessoal e musicalmente com uma quantidade maior das maiores personalidades do Jazz que viveram entre 1940 e 2013. Que vida admirável.



Uma pequena amostra dos entrevistados no programa “Piano Jazz”:

Mary Lou Williams; Bill Evans; Oscar Peterson; Teddy Wilson; Chick Corea; George Shearing; Dave Brubeck; Dizzy Gillespie; Carmen McRae; Henry Mancini; Sarah Vaughan; Michel Petrucciani; Mel Torme; Herbie Hancock; Gerry Mulligan; Lionel Hampton; Stéphane Grappelli; Ray Charles; Jack DeJohnette; Clint Eastwood; George Duke; Diana Krall; Regina Carter; Michel Legrand; Jane Monheit; Tony Bennett; Keith Jarrett; John Pizzarelli; Mimi Fox; Eliane Elias; Claudio Roditi.

Mesmo uma pessoa completamente alheia à música deve conhecer alguns dessa lista.


Quem leu até o fim o meu post anterior, OLD SCHOOL, já conheceu a Marian McPartland pianista.


Selecionei links para o programa PIANO JAZZ com MARIAN McPARTLAND  ainda disponíveis no site NPR.org

Nota: links para o site oficial da NPR. O programa tem apenas audio. Clique o "Play" logo no canto superior esquerdo  e delicie-se!


Eliane Elias, nos anos 80 com seu primeiro álbum "Ilusions" recém lançado, é interessante perceber a mútua admiração de Marian e Eliane 






Conheça também o estilo Vaudeville com um grupo velho conhecido...


UM CAFÉ LÁ EM CASA: 
(uma palhinha de um próximo Post)


Café lá em Casa com Costita

O artista NELSON FARIA, guitarrista de renome internacional lançou há anos atrás o programa "UM CAFÉ LÁ EM CASA" num canal Youtube, nos moldes do que seria o  PIANO JAZZ no mundo globalizado.
Audio e video, entrevistas mescladas com música, duração de 30 minutos, financiado por uma confraria. Muito bem produzido, fez muito sucesso na Web e passou a ser exibido no Canal ARTE1 na TV por assinatura. 
No programa o Nelson recebe artistas, músicos consagrados e também aqueles que só conhecíamos o som, os músicos de estúdio e os "side man" aqueles que acompanham um artista sem ser protagonista. 
Fico imaginando o que o Nelson não faria com um programa de 50 minutos...(sem trocadilho)

Vale a pena conferir:

UM CAFÉ LÁ EM CASA com HECTOR COSTITA - (um dos meus prediletos)

sábado, 21 de julho de 2018

OLD SCHOOL – BOAS MANEIRAS OU VELHARIA?



(*)“Queridos amigos,

Tive a maravilhosa experiência de completar duas semanas acompanhando Antonia Bennett (sim, filha do Tony) no famoso Café Carlyle no Hotel Carlyle. Além de ser minha primeira chance de tocar naquele hall sagrado, também foi a primeira vez que fiz uma tournée de duas semanas num mesmo local em Nova York. Isso me deu uma visão interessante sobre o que costumava ser uma parte normal de qualquer perfil profissional de músicos – a temporada de show em um hotel.

Foi ótimo, por duas semanas, vestir um terno e ir para um dos últimos bastiões da antiga gentileza de Nova York.

O Carlyle é “Old School” (escola antiga) em todos os sentidos da palavra - a hierarquia dos garçons, todos em uniformes codificados para suas funções. Os bons modos no atendimento, a elegância da “old school”. Rígido e esnobe e, nestes dias, basicamente anacrônico.


Café Carlyle  NY

O que eu gostei foi que primeiro os clientes jantaram.  Em seguida foi servida a sobremesa que terminada, foram servidas as bebidas pós-jantar e, somente então, o show começou.

Alguns clubes de jazz (que devem permanecer sem nome) devem tomar nota de como isso é feito: Primeiro jantar, depois o show - não jantar enquanto o show está acontecendo. 

Não há nada mais angustiante em ter passado a maior parte de sua vida estudando sua arte, de modo que, quando você finalmente começa a tocar, há um cara gordo que corta seu bife bem na sua frente – falta de classe!

Talvez os velhos tempos não fossem ótimos, mas havia algum decoro que fazia sentido que, se você procurar bem, ainda existe em nossa cidade.
Estou feliz por ter sentido esse gosto.

Saudações,
Spyke

(*)Tradução livre do texto de Michael "Spike" Wilner no Newsletter dos clubes de Jazz  Small’s & Mezzrow – NY, 5 de junho de 2017

Spyke é músico e um dos sócios que reabriram o Famoso Clube de Jazz de New York, “Small’s” que fica na 183 W 10th St, New York, NY 10014 (esse clube vai ser assunto em outra oportunidade aqui no “blog do BetoRocco” .

Hoje o assunto é “Old School Experience in Jazz”

Boas maneiras? Bom!
Requinte? Seria bom. 
mas...  pelo menos um mínimo de cerimonia.

Um bom local para os músicos:

Palco ou um praticável elevado onde o grupo possa se posicionar de forma a facilitar a visão pelo público e permitir a interação entre os  músicos com sinais durante a apresentação;
Iluminação adequada;
Som de palco se necessário para que “todos ouçam todos” e se possa alcançar equilíbrio natural do volume e dinâmica da música.


Rita Wilson no Cafe Carlyle

Um bom local para o público:

Confortável, com visão da cena e boa audição de toda a música apresentada.

Se em ambiente de Restaurante, um serviço impecável, sendo servido o que foi anunciado, no horário prometido, para que, quando começar o show se esteja na fase dos “after-dinner drinks

Se em ambiente de teatro, boas poltronas, conforto, visão, acústica, etc.

Tudo o que vai acima são “condições ideais” para se ouvir a música singular que é o Jazz.

Uma combinação não muito fácil de encontrar hoje em dia, e mesmo longe das expectativas da maioria do público de agora que busca locais com música ao vivo.

Consequentemente, os fornecedores (músicos inclusive), sensíveis a essa “análise de valor”, - cliente tem sempre razão - retiram da oferta aquilo que não poderá ser pago ou mesmo entregue.

Alguns hotéis de classe e clubes de jazz pelo mundo ainda podem oferecer essa receita quase completa. Dentre eles o “Carlyle” NY.

O “Café Carlyle NY” chega divulgar no site o que me pareceu um "manual para frequentar o ambiente" disfarçado em FAQ - “Frequently Asked Question” que pode ser acessado clicando “aqui” (infelizmente o link está fora do ar).

Rigorosamente “Old School” já não se pratica há tempos. Quem ouve atentamente álbuns gravados em Clubes de Jazz, por exemplo: o antológico “Sunday at The Village Vanguard - Bill Evans Trio” (NY 1961) ou Jim Hall – Live in Toronto – 1975, reconhece alguns ruídos de conversas e de serviços que vazam para a gravação.

Há pouco tempo recebi um pequeno trecho gravado - sorrateiramente - pelo celular, de uma apresentação em um Jazz Club em NY, e... (surpresa!) lá estava o indefectível som do 'pic pic pic' dos talheres no filet mignon... , em um dos mais famosos clubes de Jazz de NY!!!  

Mas, “Old School” continua sendo meu sonho (impossível?), algum dia chegarei lá!


Small's Club NY

Enquanto isso vamos nos deliciar com uma verdadeira apresentação de "Old School": (com jazz da melhor qualidade)





Marian McPartland (piano), 
meu grande ídolo Joe Morello (bateria) 
Vinnie Burk  (contrabaixo)



domingo, 1 de julho de 2018

BOTH DIRECTIONS AT ONCE (um pé no passado e outro no futuro)



Nos anos 1960 John Coltrane já era talvez o mais influente saxofonista da era “pós-bebop”. Além de carreira solo, colaborava  também em álbuns de outros grandes inovadores de seu tempo como Thelonious Monk (piano) e Ornette Colleman (sax). Esteve presente no “Kind of Blue” o mais importante álbum de Miles Davis
Sua sonoridade e seu estilo “modal” de tocar ouvido em seu Álbum de 1960 “Giant Steps” o colocou como dono de um novo estilo de tocar saxofone que influencia músicos de jazz até hoje.

John Coltrane

Ao lado de sua carreira como inovador, levando o jazz a novos caminhos nunca trilhados, também tocava baladas e os standards, produzindo diversos álbuns no estilo como líder e mesmo colaborando com outros artistas.

Coltrane gravou cerca de 154 Albuns, cerca de 60 como colaborador ou co-líder.

Both Directions at Once - “Um pé no passado e outro no futuro” pode ter sido a melhor definição da obra de John Coltrane.

A Gravação

Em março de 1963 Coltrane estava tocando em uma temporada de 15 dias no clube de jazz Birdland. Iria também gravar o antológico álbum de baladas standards do jazz com o cantor Johnny Hartman no famosíssimo “Van Gelder Studios” . Tocaria com seu quarteto clássico: McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (baixo) e Elvin Jones (bateria).
John Coltrane Quartet no Van Gelder Studios

Mas na véspera da gravação, o quarteto foi ao estúdio e produziu, como que em um ensaio, um robusto material de jazz instrumental, contendo várias composições originais, e outras nunca antes gravadas. Aparentemente a sessão teria sido informal pois, ao final, Coltrane levou o material para casa.

O Álbum Perdido de John Coltrane

As fitas ficaram guardadas por 54 anos com a família de Coltrane até o selo de jazz “Impulse!” obter a permissão para lançá-las comercialmente. O que aconteceu em 29 de junho de 2018.

A obra foi editada em formato LP, CD e Stream, contendo sete composições com material original, dois deles sem nome, vários “takes” alternativos de um mesmo tema, materiais riquíssimos para os “jazzófilos” e interessados em música.
Será também o marco de relançamento do selo de jazz “Impulse!”. - um grande “impulso” para jazz.   

Both Directions at Once, o mais importante lançamento de Jazz dos últimos tempos. 

Nas palavras do grande saxofonista, contemporâneo de Coltrane, Sonny Rollins: “Isso foi como achar uma nova sala na Grande Pirâmide”.

Será também o marco de relançamento do selo de jazz “Impulse!”. Certamente um grande “impulso” ao jazz.   




Playlist de John Coltrane no Spotify

Preparei uma Playlist que apresenta Coltrane dos standards para a inovação. Do passado para o futuro.

Começamos com 2 faixas do Álbum com o cantor Johnny Hartman
depois, 4 faixas com grandes temas imortalizados por Coltrane, sedo os 2 primeiros de sua autoria.



Se você foi até o fim dessa primeira playlist, prepare-se! 
Abaixo está o Álbum Perdido