Depois de tocar
para minha amiga Tera Leopoldi algumas edições do meu programa de Rádio Web “Estação
Jazz” na RádioGeekBR, conversamos sobre apreciação musical. Dias depois, Tera
me presenteou com uma coleção de fitas cassete produzidas por um colega
professor nos anos 80.
Um Tesouro!
Levei para
casa, fui ouvindo uma a uma e percebi que estava diante de um tesouro.
Em 1988,
Dirceu Câmara Leal iniciou a divulgação de um “Programa de Rádio”, que seria distribuído
a seus “sócios-ouvintes”, com o intuito de compartilhar apreciação musical e
poética. Era um programa de rádio mesmo, com música de fundo narrador,
vinhetas, etc., onde Câmara Leal iria apresentar e comentar músicas para
apreciação.
O objetivo era utilizar a música para tocar a sensibilidade dos
ouvintes. Nas palavras do autor: “Fugir do medo da vida fazendo um som direto,
para entrar em contato com vocês, invadir a praia de vocês, invadir a casa de
vocês. Vocês serão os nossos cúmplices.” Os programas seriam entregues por meio
de fitas cassete que se poderia ouvir em qualquer lugar, no carro, no walkman,
em casa, no trabalho, “numa casinha de sapé”...
Câmara Leal já havia produzido
programas semelhantes com sucesso anos atrás, como comenta no próprio “programa
zero”. Agora, neste caso, o programa foi editado regularmente por 4 anos e
pouco.
Capa da Rádio Alvorada numerada e por sócio
O Sistema - A “Rádio” funcionou assim:
O
interessado tornar-se-ia sócio, a partir do envio diretamente ao produtor dez
fitas cassete. Isso daria direito a receber a "rádio" por um ano.
A cada 2
meses uma nova edição. O sócio recebia o programa em mãos ou no próprio endereço.
Câmara Leal
também incentivava os ouvintes a repassar as fitas para que outros pudessem
conhecer e apreciar o trabalho, aumentando assim a quantidade de ouvintes
(invadidos).
A “Radio”
funcionou por pouco mais de 4 anos, produzindo 26 programas. (fitas de 0 a 25) Tenho
em mãos 18 delas!
O Produtor
Tenho poucas
informações sobre Dirceu Câmara Leal, professor, um homem das letras influente.
Seu poema “Tango” inspirou um Curta Metragem e uma peça de teatro (links para o
poema e obras vão abaixo nas referências). Faleceu precocemente. Sem dúvida seu
trabalho com a “Rádio Alvorada” o faz precursor dos Podcast’s da internet.
Fosse hoje, Dirceu Câmara Leal teria centenas de milhares de seguidores.
A Obra – Ouvir para curtir
No painel
abaixo, você meu leitor poderá ter sua praia invadida pela Rádio Alvorada, basta
clicar o PLAY.
Caso seja do
interesse dos leitores, poderei tornar disponíveis as demais edições da “Rádio
Alvoorada"
Deixe seu comentário ou escreva direto para 0 BetoRocco roberto.rocco@outlook.com
Referencias:
https://www.youtube.com/watch?v=yDy7RlPZpPk Walter Quaglia
https://cachalote.wordpress.com/tag/dirceu-camara-leal/
https://www.youtube.com/watch?v=qQvGgZ_fpBs Rodrigo Cavana
Post Scriptum - Um pequeno
histórico da Fita Cassete:
Fita Cassete ou “Compact Cassette”, para os íntimos K7.
Uma
revolução no modo de ouvir música!
Até 1963,
para ouvir música de forma mecânica (não ao vivo) era necessário comprar os
discos LP, álbuns com cerca de 45 min de música ou discos Compactos cerca de 10 min. Ou ligar
para o programa de rádio e pedir ao Disk Jockey (DJ da época).
No limite ir à
casa de quem tinha o disco e pedir emprestado...
Lançada pela
Phillips em 1963, uma fita magnética de ¼ de polegada enrolada dentro de um
estojo de plástico e o aparelho gravador/reprodutor portátil, movido à pilha.
Um programa de 60 minutos (30 de cada lado). Aparelho baratíssimo, pensado para
revolucionar o mercado de aparelhos de ditado para datilógrafas.
Já vendia nos
EUA em 1966, 250.000 aparelhos e não
para ditado mas para permitir ouvir música gravada, para se ouvir em qualquer
lugar, “sem precisar comprar”. Bastava copiar do amigo que tinha o LP.
A fita
Cassette, pela primeira vez, popularizou as gravações dos mais variados
assuntos, coisa que antes só era possível com equipamentos mais complexos pesados,
caros, difíceis de manusear.
Com
qualidade de som bem restrita, nos 5 a 10 anos seguintes ganhou
aperfeiçoamentos nos equipamentos e na mídia chegando a desempenho
profissional. Os tape-decks tornaram-se, mais que os toca-discos o equipamento
de se ouvir músicas. O Cassete também fez todo mundo ouvir musicas no carro no
lugar das rádios FM.
Foi com o K7
também, outra revolução no modo de se ouvir musica, pois tirou dos ambientes
fechados e de audição coletiva e a levou à audição pessoal com o advento do
Sony-Walkman a partir de 1979.
Sony - WalkMan
Mas,
surpresa! Foi também o “compact-cassette” a primeira mídia utilizada para
compartilhamento de conteúdo em massa. Com custo baixo tanto da fita quanto dos
equipamentos, foi instrumento de disseminação das idéias do Aiatolá Khomeini.
No exílio na França e depois em Bagdá, sua mensagem chegava às massas por meio
de fitas-cassete gravadas durante conversas ao telefone, preparando as massas
para a revolução que viria.


Posta mais fitas sim!!! Alguém tem que disponibilizar essas preciosidades!
ResponderExcluirVou postar sim. Valeu!
ResponderExcluirQue resgate bacana Rocco. Traga-nos mais !
ResponderExcluirPois é Divaldo, pioneiros às vezes ficam perdidos na memória de poucos... Conheci o Câmara Leal só agora. Trouxe ao conhecimento dos leitores para que possa ser uma inspiração. Vou publicar mais edições da Rádio Alvorada em breve.
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