domingo, 10 de junho de 2018

DIRCEU CÂMARA LEAL – UM PIONEIRO



Depois de tocar para minha amiga Tera Leopoldi algumas edições do meu programa de Rádio Web “Estação Jazz” na RádioGeekBR, conversamos sobre apreciação musical. Dias depois, Tera me presenteou com uma coleção de fitas cassete produzidas por um colega professor nos anos 80.

Um Tesouro!

Levei para casa, fui ouvindo uma a uma e percebi que estava diante de um tesouro.

Em 1988, Dirceu Câmara Leal iniciou a divulgação de um “Programa de Rádio”, que seria distribuído a seus “sócios-ouvintes”, com o intuito de compartilhar apreciação musical e poética. Era um programa de rádio mesmo, com música de fundo narrador, vinhetas, etc., onde Câmara Leal iria apresentar e comentar músicas para apreciação. 

O objetivo era utilizar a música para tocar a sensibilidade dos ouvintes. Nas palavras do autor: “Fugir do medo da vida fazendo um som direto, para entrar em contato com vocês, invadir a praia de vocês, invadir a casa de vocês. Vocês serão os nossos cúmplices.” Os programas seriam entregues por meio de fitas cassete que se poderia ouvir em qualquer lugar, no carro, no walkman, em casa, no trabalho, “numa casinha de sapé”... 

Câmara Leal já havia produzido programas semelhantes com sucesso anos atrás, como comenta no próprio “programa zero”. Agora, neste caso, o programa foi editado regularmente por 4 anos e pouco.



Capa da Rádio Alvorada numerada e por sócio

O Sistema - A “Rádio” funcionou assim:

O interessado tornar-se-ia sócio, a partir do envio diretamente ao produtor dez fitas cassete. Isso daria direito a receber a "rádio" por um ano.

A cada 2 meses uma nova edição. O sócio recebia o programa em mãos ou no próprio endereço.

Câmara Leal também incentivava os ouvintes a repassar as fitas para que outros pudessem conhecer e apreciar o trabalho, aumentando assim a quantidade de ouvintes (invadidos).

A “Radio” funcionou por pouco mais de 4 anos, produzindo 26 programas. (fitas de 0 a 25) Tenho em mãos 18 delas!

O Produtor

Tenho poucas informações sobre Dirceu Câmara Leal, professor, um homem das letras influente. Seu poema “Tango” inspirou um Curta Metragem e uma peça de teatro (links para o poema e obras vão abaixo nas referências). Faleceu precocemente. Sem dúvida seu trabalho com a “Rádio Alvorada” o faz precursor dos Podcast’s da internet. Fosse hoje, Dirceu Câmara Leal teria centenas de milhares de seguidores.

A Obra – Ouvir para curtir

No painel abaixo, você meu leitor poderá ter sua praia invadida pela Rádio Alvorada, basta clicar o PLAY.









Caso seja do interesse dos leitores, poderei tornar disponíveis as demais edições da “Rádio Alvoorada" 

Deixe seu comentário ou escreva direto para 0 BetoRocco roberto.rocco@outlook.com 

Referencias: 

https://www.youtube.com/watch?v=yDy7RlPZpPk Walter Quaglia 

https://cachalote.wordpress.com/tag/dirceu-camara-leal/


https://www.youtube.com/watch?v=qQvGgZ_fpBs Rodrigo Cavana


Post Scriptum - Um pequeno histórico da Fita Cassete:

Fita Cassete ou “Compact Cassette”, para os íntimos K7. 

Uma revolução no modo de ouvir música!



Até 1963, para ouvir música de forma mecânica (não ao vivo) era necessário comprar os discos LP, álbuns com cerca de 45 min de música ou  discos Compactos cerca de 10 min. Ou ligar para o programa de rádio e pedir ao Disk Jockey (DJ da época). 
No limite ir à casa de quem tinha o disco e pedir emprestado...

Lançada pela Phillips em 1963, uma fita magnética de ¼ de polegada enrolada dentro de um estojo de plástico e o aparelho gravador/reprodutor portátil, movido à pilha. Um programa de 60 minutos (30 de cada lado). Aparelho baratíssimo, pensado para revolucionar o mercado de aparelhos de ditado para datilógrafas. 



Já vendia nos EUA em 1966, 250.000 aparelhos  e não para ditado mas para permitir ouvir música gravada, para se ouvir em qualquer lugar, “sem precisar comprar”. Bastava copiar do amigo que tinha o LP.

A fita Cassette, pela primeira vez, popularizou as gravações dos mais variados assuntos, coisa que antes só era possível com equipamentos mais complexos pesados, caros, difíceis de manusear.

Com qualidade de som bem restrita, nos 5 a 10 anos seguintes ganhou aperfeiçoamentos nos equipamentos e na mídia chegando a desempenho profissional. Os tape-decks tornaram-se, mais que os toca-discos o equipamento de se ouvir músicas. O Cassete também fez todo mundo ouvir musicas no carro no lugar das rádios FM.

Foi com o K7 também, outra revolução no modo de se ouvir musica, pois tirou dos ambientes fechados e de audição coletiva e a levou à audição pessoal com o advento do Sony-Walkman a partir de 1979.

Sony - WalkMan

Mas, surpresa! Foi também o “compact-cassette” a primeira mídia utilizada para compartilhamento de conteúdo em massa. Com custo baixo tanto da fita quanto dos equipamentos, foi instrumento de disseminação das idéias do Aiatolá Khomeini. No exílio na França e depois em Bagdá, sua mensagem chegava às massas por meio de fitas-cassete gravadas durante conversas ao telefone, preparando as massas para a revolução que viria.

4 comentários:

  1. Posta mais fitas sim!!! Alguém tem que disponibilizar essas preciosidades!

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  2. Que resgate bacana Rocco. Traga-nos mais !

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    1. Pois é Divaldo, pioneiros às vezes ficam perdidos na memória de poucos... Conheci o Câmara Leal só agora. Trouxe ao conhecimento dos leitores para que possa ser uma inspiração. Vou publicar mais edições da Rádio Alvorada em breve.

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