quinta-feira, 31 de maio de 2018

JAZZ STANDARD, O QUE É ISSO?


JAZZ STANDARD, “padrão de Jazz” na tradução literal, é de modo geral uma canção importante no repertório de músicos de Jazz. É muito conhecida e apreciada, sendo tocada ao vivo e gravada no repertório do Jazz. Ela também é conhecida e apreciada pelos ouvintes habituais. É uma composição que se tornou padrão sendo executada ao longo do tempo seja no seu estilo original ou ao estilo jazzístico do músico executante. (para saber mais sobre a AMERICAN STANDARD SONG, releia o texto neste Blog A Maior Música Popular do Mundo )
As JAZZ STANDARDS formam uma lista sempre crescente formada por:
  • inicialmente a própria música tradicional e folclórica norte americana;

  • musica “Tin Pan Alley”, termo empregado para definir as canções de compositores e letristas que trabalhavam para empresas editoras musicais situadas no setor Alameda do Estanho” na West 28th Street em Nova York na primeira metade do séc XX e depois tornando-se um termo genérico para editores de músicas;

  • músicas escritas para musicais da Broadway e filmes de Hollywood;


  • músicas compostas pelos próprios músicos de Jazz;

  • canções marcantes de todo o mundo como por exemplo “Wave” de Antônio Carlos Jobim, “Autumn Leaves” (Les Fleurs Mort) do Húngaro Joseph Kosma e Prévert, "Nuages" do guitarrista Django Renhardt.


Fred Astaire com os irmão Gershwin

Podemos encontrar dezenas, às vezes centenas de versões das JAZZ STANDARDS gravadas em estúdio para Albums ou registradas em audições ao vivo em clubes de jazz, festivais, rádio e TV, etc. Cada uma delas diferente e revestida do estilo e da interpretação pessoal do artista de jazz (improvisação) que a torna singular, única.


Gerome Kern

A divulgação e disseminação das JAZZ STANDARDS para os músicos nos últimos tempos vem sendo feitas através dos “FAKE BOOK” que são coleções de transcrições de temas de Jazz em partituras simplificadas, com a linha melódica para instrumento de sopro ou piano, os acordes da harmonia e às vezes também a letra. Isso facilita o aprendizado de novos temas e auxilia os músicos a terem um denominador comum para as JAM SESSIONS – sessões informais de jazz e mesmo em shows.
 


Muitas edições diferentes, algumas voltadas para determinado instrumento


Alguns exemplos de JAZZ STANDARDS e respectiva época:

1920 – Jazz Ages:


Charleston, Black Bottom, Sweet Georgia Brown, Dinah, Bye Bye Blackbird, Honey Suckle Rose, Ain’t Misbehavin, Stardust, The Man I Love, Blue Skies, “What is This Yhing Called Love?, - Alguns
Compositores: Fat’s Waller, Hoagy Carmichael, Mitchel Parish, George e Ira Gershwin, Irving Berlin, Cole Porter.

1930 – Broadway & Swing era


Sumertime, My Funny Valentine, All the Things You Are, Body and Soul, It don’t Mean a Thing (if Ain’t got that Swing), Sophisticated Lady, Caravan, After you’ve Gone.

Alguns Compositores além dos citados – Richard Rogers and Lorenz Hart, Jerome Kern, Oscar Hamerstein, Johnny Green, Duke Ellington

1940 – last od Swing - Bebop


Cotton Tail, Take the “A” Train, A Night in Tunisia, Yardbird Suite, Scraple from the Apple, Round Midnight.

Alguns Compositores além dos citados – Billy Strayhorn, Charlie Parker, Dizzy Gillespie


Duke Ellington e Billy Strayhorn  

1950 em diante


Kind of Blue, All Blues, So What?, Impressions, Maidem Voyage, Footprints, My Favorite Things, Sumer of 42

Alguns Compositores além dos citados – John Coltrane, Miles Davis, Herbie Hanckok

Concluindo:


As JAZZ STANDARDS são facilmente encontradas no Youtube, Spotify. Acho que com as fontes acima você vai conseguir reconhecê-las

Me conte se conseguiu.

Post Scriptum 1


Hoje, 30 de maio a grande figura do Jazz BENNY GOODMAN, compositor, clarinetista de Jazz, Bandleader completaria 109 anos. 

Para comemorar a efeméride, Thiago Schulze, meu co-apresentador e produtor do programa Estação Jazz  e eu, nos encontramos de forma virtual no estúdio da Rádio Geek BR e programamos uma gravação antológica do The Benny Goodman Quartet - I Got Rythm - 1959 para compartilhar com meus caros leitores:




Post Scriptum 2
Eliane Elias no Brasil! - Clube de Jazz  Blue Note no Rio de Janeiro 23 e 24 junho 


quarta-feira, 23 de maio de 2018

UM SONHO QUASE IMPOSSÍVEL


ELIANE ELIAS é uma pianista paulistana, que em 1982 iniciou sua carreira de jazzista em Nova York. Havia recebido o empurrão final para se transferir para os EUA do grande contrabaixista EDDIE GOMEZ que encontrou em Paris quando fazia uma viagem de reconhecimento do ambiente musical internacional.

Jovem de vinte e poucos anos, mulher e não nativa, se apresentava nas "jam sessions" e audições como pianista... tinha tudo contra ela! Exceto que: começando a aprender piano aos 7, incentivada pela mãe pianista diletante; aos 12 já transcrevia os solos dos grande pianistas do jazz e dominando também os standards; aperfeiçoou sua pianística com o grande AMILTON GODOY (Zimbo Trio); depois, uma breve carreira no Brasil como pianista de TOQUINHO e VINICIUS DE MORAES. Quer dizer, já era uma musicista madura.

Contracapa do LP de estréia: Illusions - Eliane Elias - Ed BR 1997 (do meu acervo pessoal)
destaque para os músicos participantes

Um ano depois, em 1983 já estava em tournées com grupo de "Jazz Fusion" “Steps Ahead”, com o próprio GOMEZ e o Saxofonista MICHAEL BRECKER. Logo assinou com o selo “Blue Note” onde lançou seu primeiro disco solo “Illuisions” nome de uma das quatro faixas de sua autoria. Seguiram-se outros albums como solista e também como "side-woman" de outros artistas. Destaco entre eles, um com canções de TOM JOBIM com arranjos e harmonias desenvolvidas por ELIANE e previamente apresentadas ao grande Maestro, que ficou muito entusiasmado com suas soluções harmônicas inovadoras.

CD Eliane Elias Plays Jobim - Ed BR. 1990

Em menos de dez anos ELIANE ELIAS já estava consagrada como “jazz woman” e artista internacional. Até 2017 havia lançado 25 albums como solista tendo recebido além de Grammy’s, prêmios de revistas especializadas nos EUA, Europa e Japão. ELIANE passou a cantar também e alternava trabalhos de jazz com bossa nova e até algumas incursões no pop, nunca deixando de apresentar em todos eles seu piano incrível.

Mas, quase esquecido estava um “master work” produzido por Eliane Elias e não lançado na época.

Mitch Leigh - o compositor

Em 1995, MITCH LEIGH, compositor das canções da premiada versão do Homem de La Mancha na Broadway em 1964, ( 2.328 performances, 5 Tony Awards, inclusive de melhor musical do ano em 1965), convidou ELIANE ELIAS para criar uma versão instrumental da sua trilha sonora. Justificou seu pedido no entusiasmo sentido ao ouvir o trabalho da pianista no CD “Eliane Elias Plays Jobim”, que citei acima. Um grande desafio, pois ao contrário da obra de JOBIM, muito musical e amplamente conhecida, a grande força das canções do Homem De La Mancha estava na poesia. ELIANE recebeu total autonomia artística para o trabalho, inclusive para a escolha das canções.

Eliane Elias mergulhou no trabalho. Selecionou a canção título “The Impossible Dream”, “A Little Gossip”, “To Each His Dulcinea” que deu título ao álbum, e mais seis canções. Escolheu ritmos, e adaptou de tal forma que as músicas exibissem uma nova carga de emoção que não existia na trilha original. Para acompanhá-la chamou duas sessões rítmicas: EDDIE GOMEZ (contrabaixo) e JACK DE JONETTE (bateria) e MARC JOHNSON (contrabaixo), (seu atual marido) e SATOSHI TAKEISHI (bateria) ambos complementados pelo grande percussionista espanhol MANOLO BADRENA.

Eliane Elias - To Each His Dulcinea - 2018

O resultado foi mais que uma adaptação. Foi uma maravilhosa recriação dos temas escolhidos, incluindo re-harmonizações, seções de improvisação, novas introduções, interlúdios e finais, embalados por ritmos latinos e brasileiros como frevo, baião, samba, também com pitadas Ibéricas.

A gravação foi realizada no ”Power Station Studio” em NY e mixada no Studio Secreto do compositor Leigh que acompanhou com entusiasmo boa parte das gravações.

Curiosamente o trabalho foi engavetado por motivos contratuais, e só foi lançado, 25 anos depois, em abril passado, pelo Selo "Concord", infelizmente depois da morte do autor que nos deixou em 16 de março de 2014.

Mais uma obra formidável que por pouco não ficou fora do alcance do público e principalmente dos apreciadores de músicas singulares.


Abaixo apresento 2 links para o Spotify com amostras das obras:  



#1 Eliane Elias - To Each his Dulcinea 



#2 Eliane Elias Plays Jobim 


sábado, 12 de maio de 2018

JAZZ... SEMPRE O MESMO?


Muitas vezes se pensa que quem ouve Jazz aposentou seu hábito de comprar albums novos, restringindo-se a ouvir os mesmos discos e intérpretes e buscar "novidades" nos sebos e nas vendas de edições usadas, na internet.

Ao contrário, não é fácil acompanhar os lançamentos de novos Albums de Jazz. Qualquer consulta às revistas especializadas do gênero como Down Beat, Jazz & Blues e outras, nos mostra a cada edição, uma dúzia de lançamentos sendo indicados e resenhados. Embora não tão grande quanto o mercado da música pop, o mercado de jazz é bastante movimentado.

Outra grande fonte de novidades são as edições ampliadas de albums famosos do passado. São agora incluídas faixas que na época foram deixadas de lado ou por causa das limitações de espaço nos Long Plays ou por não terem sido selecionadas. Gravações de shows de TV de grandes nomes do passado ocorridas principalmente na Europa, também tem sido lançadas nos formatos de DVD.

TONY & BILL

Posso citar como exemplo, o re-lançamento dos dois famosos álbuns da Fantasy Records que TONY BENNETT gravou com o pianista BILL EVANS. O primeiro em 1975, “The Tony Bennett Bill Evans Album”, o segundo em 1977, “Tony Bennett and Bill Evans Together Again”.
Agora a Concord Records que é dona da Fantasy, editou, 40 anos depois do lançamento original, 4 LPs em caixa de luxo com faixas extras e tomadas alternativas às utilizadas nos albums originais, bem como informações, comentários e fotos sobre as gravações. Uma caixa de CDs com a obra também foi editada.

Tony Bennet e Bill Evans com a produtora Helen Keane e o Eng. Don Cody  (Tom Vano)

QUASE ESQUECIDOS

Mas em alguns casos, trabalhos inteiros foram engavetados sem serem lançados. Motivos comerciais e jurídicos encabeçam as razões para essas praticas. Mas em alguns casos as gravações estavam mesmo perdidas.

ELLA

No final de 2017, comemorando os 100 anos do nascimento de ELLA FITZGERALD (1917, 1996), a Verve Records lançou um album inédito da grande artista. Gravado ao vivo em 1956 (há 61 anos!) em Los Angeles “Ella at Zardi's", un clube de Jazz. Essa obra havia sido deixada de lado na época, para não atrapalhar o lançamento do famoso “Ella Fitzgerald Sings The Cole Porter Song Book”.
Muito bem gravado, ao vivo, acompanhada por um competente trio Ella está no auge de sua performance nas 21 faixas, interpretando em algumas os seus famosos "scat singing" que é uma interpretação vocal que substitui a letra das canções por silabas onomatopaicas, sugerindo a voz como instrumento musical.


LOUIS

Recentemente o selo MOSAIC lançou uma coleção , de LOUIS ARMSTRONG em uma caixa de luxo, com 9 CDs com gravações feitas entre 1947 e 1958 em performances ao vivo. Os discos já haviam sido publicados originalmente em vinil pela RCA Victor e Columbia.
Mas agora 4 álbuns inéditos foram adicionados, No formato de vinil com as apresentações completas de Louis Armstrong & All Stars nos festivais de Newport de 1956 e 1958.
O interessante dessas gravações é que Armstrong, ainda no auge de sua carreira, aparece em concertos históricos como em 1947 na Câmara Municipal de Nova York (New York City Hall) e no famoso Carnege Hall.
Acompanhado pelos melhores da época, como Jack Teagarden, Barney Bigard, Arvell Shaw, Peanuts Hucko, Dick Cary, George Wetting e outros
Outro ponto importante está na qualidade da gravação, que vinha melhorando muito a partir de 1945, o que permite ouvir com muita clareza todos os instrumentos.
Algumas das gravações apresentadas nessa caixa foram encontradas recentemente. Estavam perdidas por terem sido guardadas com etiquetas erradas!...

Louis Armstrong

CONCLUINDO

Jazz é um gênero musical em que o músico executante faz parte da arte. A produção de Jazz em 100 anos é muito maior que a possibilidade de qualquer pessoa conhece-la integralmente. É tarefa para poucos que dedicam sua vida inteiramente ao assunto. Para nós reles mortais, descobrir novos artistas no passado e no presente pode ser uma atividade diária pelo resto de nossos dias. Que bom!


ABAIXO LINKS PARA  "PLAYLISTS" DESTES LANÇAMENTOS NO
Spotify 




Tony and Bill No Spotify


Ella no Spotify


Louis no Spotify