domingo, 24 de junho de 2018

PIONEIROS DO JAZZ PAULISTANO



Billy Ponzio – Baterista e Produtor
O Billy Ponzio começou sua carreira em 1989 ingressando no CLAM, a famosa escola do Zimbo Trio. Suas primeiras experiências como músico foram ecléticas. Bandas de Rock Progressivo e outra de Gaitas de Foles Escocesas.

Billy Ponzio

Migrou para o Jazz ao ingressar na Tito Martino Jazz Band, banda dedicada ao estilo de Jazz Tradicional, liderada pelo famoso clarinetista, um dos mais antigos músicos de jazz radicados na capital de S. Paulo.
A Tito Martino Jazz Band congrega jazzistas das novas gerações com grandes músicos veteranos, que ainda estão em atividade.

O Registro dos Pioneiros
Nas apresentações e em tournées, Billy teve oportunidade de tocar e conviver com esses músicos de alto nível e de grande experiência. Resolveu, como se faz hoje em dia, com a ajuda de um “crowd-funding”, produzir reuniões em estúdio de alguns desses pioneiros, tocando seus temas preferidos, acompanhados por uma “cozinha”, (basicamente: piano, contrabaixo e Billy à bateria)

Show de lançamento do CD Os Pioneiros do Jazz

Registrou tudo no CD – Os Pioneiros do Jazz Paulistano e, como se faz hoje em dia, publicou o CD no Spotify
Show de lançamento do CD Os Pioneiros do Jazz

Os Pioneiros do Jazz Paulistano
Os escolhidos pelo Billy foram: 
Hector Costita, Saxofonista e Clarinetista consagrado, radicado no Brasil desde 1958 quando inaugurou a Boate Baiúca em SP. Gravou em 1962 o disco “Dick Farney Jazz” com famoso pianista; foi para o “Beco das Garrafas” formando com grandes músicos da bossa-nova o  Conjunto Bossa Rio liderado por Sergio Mendes, com ele gravou em 1963 o antológico disco “Você ainda não ouviu nada!” – o primeiro disco no gênero “samba-jazz” apreciado no mundo inteiro até hoje;  Gravou discos como líder, em especial o disco de samba jazz “Impacto” liderando um sexteto com alguns temas de sua autoria; contribuiu em vários discos de outros artistas, destacando-se um com o Zimbo Trio e o Guitarrista Heraldo do Monte, com músicas de Milton Nascimento. Atualmente lidera um quinteto se apresentando por todo o Brasil.
LP editado em 1964

André Busic, (Iuguslávia) cornet radicado no Brasil desde 1960. Co-fundador da Traditional Jazz Band, participou da gravação do disco A Era de Ouro do Dixieland com a Traditional Jazz Band em 1975 gravou Jazz para trilha sonora de novela; Tocou diversas temporadas em New Orleans; é líder da banda Hot Line Jazz Band.

A "Era de Ouro" com dedicatória de outro pioneiro, o contrabaixista Daniel Grisanti a esse escriba ;)

Carlos Lima – trompete, brasileiro, formou com a Traditional Jazz Band em 1975 até os anos 1980, participando de diversas gravações, filmes e programas de TV com a banda. É atualmente o trompetista da Tito Martino Jazz Band.

Carlos Lima

Luchin Montoya - piano, natural do Chile, tocou com a Traditional Jazz Band nos primeiros tempos, tocou com muitas formações no cenário do jazz de São Paulo.

Luchin Montoya

Tito Martino - clarineta, brasileiro, formou sua primeira banda de Jazz em 1957; fundador da Traditional Jazz Band; fundador do OPUS 2004 famosa casa de Jazz de São Paulo dos anos 1970 e 80. Líder da Tito Martino Jazz Band, é um importante preservador do Jazz tocado ao estilo de New Orleans em São Paulo.

Tito Martino

Mas Jazz Paulistano – o que é?
Não! O jazz tocado em São Paulo não tem sotaque do Brás e nenhuma característica que o diferencie do tocado em qualquer parte do mundo.
Podemos encontrar a característica do Jazz Paulistano nos músicos que inicialmente o trouxeram para a cidade.

Traditional Jazz Band - a mais famosa do jazz paulistano

Como os próprios pioneiros contam em suas entrevistas, nos idos dos anos 1940, 50 o Jazz não era muito ouvido na noite de São Paulo. Com a exceção das visitas dos músicos estrangeiros que vinham se apresentar, pouco se tocava jazz por aqui
A primeira geração de músicos paulistas que tocavam unicamente jazz foi criada por influência de imigrantes estrangeiros, principalmente europeus do leste que trouxeram de seus países o estilo de Traditional Jazz que lá era muito apreciado, provavelmente devido à grande divulgação da musica popular norte americana durante e após a 2ª. Guerra Mundial. (veja meu Post sobre V-Disk). Podemos até arriscar também a hipótese de que, nos primórdios do jazz, a influência da música europeia era mais marcante, isso pode ter causado naqueles povos, alguma identificação de elementos de suas músicas folclóricas com o jazz e assim passando a incluí-las em seu repertório. Até hoje existem grupos europeus que se dedicam ao Jazz ao estilo “Traditional” inserindo alguns temperos franceses, ciganos, etc.

Traditional Jazz Band no Opus 2004 (anos 1970)

Outra característica dos “Pioneiros Paulistanos” do Jazz foi o diletantismo. Muitos músicos eram universitários que escolheram outras profissões e conciliavam sua atividade profissional com a música. 
Houve uma outra banda, a Swiss College Dixie Band, fundada em 1975 só com integrantes da comunidade suíça de S. Paulo, alguns deles professores da Escola Suiço-brasileira. Tive a oportunidade de integrar a “Swiss College” de 1978 a 1989, sendo eu naquela época o único estrangeiro na banda. A Swiss ainda está em atividade e dela participa seu fundador, Heinz Brunner ao piano, agora com os demais integrantes brasileiros.
Swiss College Dixie Band em sua formação de 1985/86
BetoRocco à Bateria

Encerrando
Billy Ponzio continua sua carreira artística na Tito Martino Jazz Band e atuando como produtor, lançando discos e ganhando prêmios. 
Vejam no site www.billyponzio.com .

Abaixo uma playlist com destaques do CD 
Os Pioneiros do Jazz Paulistano







A seguir links para entrevistas onde alguns Pioneiros contam suas histórias. 
Vale a pena conhecer!

TitoMartino             Hector Costita           André Busic

sábado, 16 de junho de 2018

RADIO ALVORADA K7 01 1988 e antes



Estava preparando um novo texto para o Blog ouvindo a Rádio Alvorada do Dirceu Câmara Leal, Fita 1 de março-abril de 1988...

Não resisti! Preciso compartilhar com vocês! (quem estiver lendo meu Blog pela primeira vez, leia o post anterior primeiro)

Aí está o segundo programa, muito variado, mostrando a sensibilidade do Câmara Leal para música e o talento para produzir um programa que nos faz querer ouvir até o fim.

Com todos os hisses da fita cassete, os humms do equipamento amador e os rumbles e pops dos LPs.  

Para quem nasceu depois da música digital dos CDs, DVDs e Streamers, era assim que ouvíamos música até os anos 1990. 

Quem ainda se arrisca a “pôr para girar no pick-up” um LP de vez em quando como eu, ainda ouve...

Não vou antecipar o roteiro para manter as surpresas do programa.

Clique o “Play” e bom programa!




Post Scriptum:

Tenho sentido muita falta de comentários dos leitores às minhas postagens. Meu amigo Will deu uma pista: parece que quem acessa o blog em endereço “.br” não consegue postar um comentário válido.


Esta semana estou corrigindo o endereço no anúncio:  https://betorocco.blogspot.com “sem o .br” para ver se é por isso que não recebo comentários. 
A ver.

domingo, 10 de junho de 2018

DIRCEU CÂMARA LEAL – UM PIONEIRO



Depois de tocar para minha amiga Tera Leopoldi algumas edições do meu programa de Rádio Web “Estação Jazz” na RádioGeekBR, conversamos sobre apreciação musical. Dias depois, Tera me presenteou com uma coleção de fitas cassete produzidas por um colega professor nos anos 80.

Um Tesouro!

Levei para casa, fui ouvindo uma a uma e percebi que estava diante de um tesouro.

Em 1988, Dirceu Câmara Leal iniciou a divulgação de um “Programa de Rádio”, que seria distribuído a seus “sócios-ouvintes”, com o intuito de compartilhar apreciação musical e poética. Era um programa de rádio mesmo, com música de fundo narrador, vinhetas, etc., onde Câmara Leal iria apresentar e comentar músicas para apreciação. 

O objetivo era utilizar a música para tocar a sensibilidade dos ouvintes. Nas palavras do autor: “Fugir do medo da vida fazendo um som direto, para entrar em contato com vocês, invadir a praia de vocês, invadir a casa de vocês. Vocês serão os nossos cúmplices.” Os programas seriam entregues por meio de fitas cassete que se poderia ouvir em qualquer lugar, no carro, no walkman, em casa, no trabalho, “numa casinha de sapé”... 

Câmara Leal já havia produzido programas semelhantes com sucesso anos atrás, como comenta no próprio “programa zero”. Agora, neste caso, o programa foi editado regularmente por 4 anos e pouco.



Capa da Rádio Alvorada numerada e por sócio

O Sistema - A “Rádio” funcionou assim:

O interessado tornar-se-ia sócio, a partir do envio diretamente ao produtor dez fitas cassete. Isso daria direito a receber a "rádio" por um ano.

A cada 2 meses uma nova edição. O sócio recebia o programa em mãos ou no próprio endereço.

Câmara Leal também incentivava os ouvintes a repassar as fitas para que outros pudessem conhecer e apreciar o trabalho, aumentando assim a quantidade de ouvintes (invadidos).

A “Radio” funcionou por pouco mais de 4 anos, produzindo 26 programas. (fitas de 0 a 25) Tenho em mãos 18 delas!

O Produtor

Tenho poucas informações sobre Dirceu Câmara Leal, professor, um homem das letras influente. Seu poema “Tango” inspirou um Curta Metragem e uma peça de teatro (links para o poema e obras vão abaixo nas referências). Faleceu precocemente. Sem dúvida seu trabalho com a “Rádio Alvorada” o faz precursor dos Podcast’s da internet. Fosse hoje, Dirceu Câmara Leal teria centenas de milhares de seguidores.

A Obra – Ouvir para curtir

No painel abaixo, você meu leitor poderá ter sua praia invadida pela Rádio Alvorada, basta clicar o PLAY.









Caso seja do interesse dos leitores, poderei tornar disponíveis as demais edições da “Rádio Alvoorada" 

Deixe seu comentário ou escreva direto para 0 BetoRocco roberto.rocco@outlook.com 

Referencias: 

https://www.youtube.com/watch?v=yDy7RlPZpPk Walter Quaglia 

https://cachalote.wordpress.com/tag/dirceu-camara-leal/


https://www.youtube.com/watch?v=qQvGgZ_fpBs Rodrigo Cavana


Post Scriptum - Um pequeno histórico da Fita Cassete:

Fita Cassete ou “Compact Cassette”, para os íntimos K7. 

Uma revolução no modo de ouvir música!



Até 1963, para ouvir música de forma mecânica (não ao vivo) era necessário comprar os discos LP, álbuns com cerca de 45 min de música ou  discos Compactos cerca de 10 min. Ou ligar para o programa de rádio e pedir ao Disk Jockey (DJ da época). 
No limite ir à casa de quem tinha o disco e pedir emprestado...

Lançada pela Phillips em 1963, uma fita magnética de ¼ de polegada enrolada dentro de um estojo de plástico e o aparelho gravador/reprodutor portátil, movido à pilha. Um programa de 60 minutos (30 de cada lado). Aparelho baratíssimo, pensado para revolucionar o mercado de aparelhos de ditado para datilógrafas. 



Já vendia nos EUA em 1966, 250.000 aparelhos  e não para ditado mas para permitir ouvir música gravada, para se ouvir em qualquer lugar, “sem precisar comprar”. Bastava copiar do amigo que tinha o LP.

A fita Cassette, pela primeira vez, popularizou as gravações dos mais variados assuntos, coisa que antes só era possível com equipamentos mais complexos pesados, caros, difíceis de manusear.

Com qualidade de som bem restrita, nos 5 a 10 anos seguintes ganhou aperfeiçoamentos nos equipamentos e na mídia chegando a desempenho profissional. Os tape-decks tornaram-se, mais que os toca-discos o equipamento de se ouvir músicas. O Cassete também fez todo mundo ouvir musicas no carro no lugar das rádios FM.

Foi com o K7 também, outra revolução no modo de se ouvir musica, pois tirou dos ambientes fechados e de audição coletiva e a levou à audição pessoal com o advento do Sony-Walkman a partir de 1979.

Sony - WalkMan

Mas, surpresa! Foi também o “compact-cassette” a primeira mídia utilizada para compartilhamento de conteúdo em massa. Com custo baixo tanto da fita quanto dos equipamentos, foi instrumento de disseminação das idéias do Aiatolá Khomeini. No exílio na França e depois em Bagdá, sua mensagem chegava às massas por meio de fitas-cassete gravadas durante conversas ao telefone, preparando as massas para a revolução que viria.