sábado, 29 de setembro de 2018

INFLUÊNCIAS - diga-me o que ouves...



“You begin to see that music is more than just playing notes. Music is an extension of life. You play what you are. You become emotionally involved. You play what your life has been. If it's been an easy life or a hard life, it all comes out in the music.''
Arvel Shaw (1923 – 2002) (contrabaixista)

trad.: “Você começa a perceber que (tocar) música é mais do que apenas tocar as notas. Música é uma extensão da vida. Você toca o que você é. Você passa a ficar envolvido emocionalmente (pela música). Você toca o que a sua vida tem sido. Se você tem tido uma vida boa ou uma vida difícil, isso vai aparecer na sua música”.

Uma afirmação verdadeira, principalmente em se tratando de músicos de Jazz.
Tocar Jazz requer do músico a improvisação musical que depende outros fatores além da qualidade do artista como instrumentista e sua interação com os demais participantes da execução. São eles, a formação musical (diga-me com quem ou como aprendestes), as experiências anteriores (diga-me com quem tocas...) e também a personalidade, que reflete no “estado de espírito” (diga-me como vives). Acrescentaria também a um “diga-me quem ouvistes”, se o músico é diletante como eu, e não passou a vida “na estrada”.

Não tive músicos em atividade na família. Minhas primeiras influências musicais, vieram das irmãs mais velhas que gostavam de folk music e em seguida, claro, de Beatles. Música clássica que escutava com meu avô materno, que tinha sido violinista profissional, mas estava há muito tempo aposentado da música. 
Vovô Raul dizia: “senta aí menino e vamos educar este ouvido” - com Mozart, Beethoven, Brahms, etc. no almoço do domingo, abria algumas exceções populares: Caymmi (o Dorival), chorinhos, e Francisco José (cantor popular português). A MPB e americanas vieram pelas Rádio Tamoio e Mundial no Rio e Excelsior (SP) através dos radinhos de pilhas ”Spica”. Mais tarde a Jornal do Brasil e a Eldorado passaram a polir um pouco mais a minha apreciação musical.

Comecei a comprar meus próprios discos no ginásio, mas meu interesse por Jazz surgiu apenas a partir das aulas de bateria em 1967. Na escola de música, se dizia que para tocar música popular, rock, pop, fox, bolero, etc., o curso acabaria em 6 meses. Bom mesmo é tocar jazz, bossa nova e ritmos brasileiros que exigem do baterista muito mais...

Foi atrás dessa conversa que voltei meu interesse para esses gêneros e a partir daí iniciei uma pequena discoteca além de procurar assistir a shows ao vivo e pela TV. 

Mas naquele tempo era menor de idade, a mesada não permitia muito. Mas os poucos discos que ia comprando quase furavam de tanto tocar, o que foi muito bom. Ainda tenho todos eles. Com o tempo, minha capacidade de formar uma boa coleção foi crescendo.  
Audição de Formatura do curso de bateria 26/06/1969
com Edgard Cassiano ao piano e Francisco Esteves (Chiquinho)

Minha iniciação no Jazz não ocorreu então como a maioria, pelos grandes do Jazz tradicional. Fui comprando orientado pelo meu mestre Chumbinho que indicou logo grandes trios de jazz do momento: McCoy Tyner trio e Oscar Peterson trio.
A partir dai passei a comprar discos onde participava algum músico que eu já conhecia de outro disco, ou a esmo manuseando as capas e ouvindo nas cabines das lojas Breno Rossi e Hi-fi.

João Rodrigues Ariza, o Chumbinho em 1969

Ofereço hoje aos meus amigos leitores, a oportunidade de fazerem uma análise “psico-musical” desse que vos escreve através dos primeiros discos da minha coleção.

Minhas Primeiras experiências de ouvir Jazz que acredito influenciaram meu grande interesse pela a música e certamente meu estilo de tocar bateria.

Minhas escolhas foram bastante heterogêneas e algumas até exóticas, como vocês poderão ouvir na Playlist que montei no Spotify e agora coloco “no divã”.




O Resultado:

Se você ficou curioso sobre o resultado dessas influências, poderá conferir no dia 27/10, pois o grupo que participo, o Bossa à Beça, irá se apresentar no 20o. Festival de Jazz do Jardim Suspenso da Babilônia, com shows de Jazz em todos os sábados do mês de outubro próximo, na Pousada Jardim Suspenso da Babilônia.

A pousada fica na cidade de Sto. Antonio do Pinhal - SP. (próximo a Campos do Jordão) e o festival acontecerá nos sábados 6, 13, 20 e 27  de outubro.
O nosso dia é o 27 de outubro de 2018

A seguir uma chamada que eu gravei para divulgação.



Procure as referencias no link  www.spamusical.com 

domingo, 9 de setembro de 2018

SUPERSAX, SUPERVOCALS – O Solista não compareceu!



Artista coadjuvante (“suport artist”), um filme não pode existir somente com os artistas principais. Quem vai servir a mesa, abrir a porta, pilotar o navio?  E na música? Quem apoia o solista? Músicos da banda os “sidemen” (e também “sidewomen”). Com raríssimas exceções, cinema, teatro e música são apresentados com alguns poucos personagens principais, os protagonistas, e uns muitos artistas que os apoiam e dão contexto para as ações que, sem eles, poderiam até parecer sem sentido ou não representar aquilo que o autor desejava demonstrar.

Talvez o Jazz seja, nesse sentido, o estilo musical mais “democrático” da música. Sua estrutura de apresentação em geral - tema, giro de solistas, tema e final - dá oportunidade a que cada um dos músicos possa ser protagonista por alguns compassos. Mesmo nos casos em que o conjunto está apoiando um grande artista, sempre existirão momentos para os “sidemen” brilharem ainda que por pouco tempo.

O exemplo típico dessa figura de “sideman” no jazz é aquele que em sua biografia vão surgindo os nomes dos músicos com quem se apresentou...  “tocou com o Oscar Peterson, Miles Davis,  Benny Goodman”, músicos estes que não precisamos nem dizer “que apito” tocam, são consagrados, já se sabe quem são e em que instrumento.

Med Flory

Med Flory parecia ser um grande exemplo de “sideman”, sua biografia era: “músico com forte influência do estilo Bebop de Charlie Parker (The Bird), nos anos 1950, tocou clarinete e sax alto com Claude Thornhill...  sax tenor com Woody Herman.... e.. (afinal) montou sua banda, 2 anos depois mudou-se para a Costa Oeste (leia-se Los Angeles – Califórnia), quando sua “big band” abriu o primeiro “Festival de Monterey”...

Med Flory na Série de TV "Maverick"

Mas Flory começou uma nova carreira na California, nos 1960. Participou com sucesso em Shows de TV e Cinema, como coadjuvante! Sem abandonar a música, gravou sax barítono com Art Pepper e Woodie Herman, que estavam tocando arranjos de solos famosos de Charlie Parker. Surgiu então um interesse grande no assunto. Flory passa a transcrever solos de Parker. Em 1972 veio a oportunidade da coprodução de um famoso trabalho com os solos de Parker harmonizados com nada menos que 2 sax alto, 2 sax tenor e 1 barítono. O álbum  Supersax Plays Bird”, ganhou Grammy Award. Usando o formato, lançou mais 4 álbuns ao longo dos anos 1970.

Em 1983 Flory adicionou 6 vozes ao supersax, e co-produziu  o álbum “Supersax & L.A. Voices” Vol 1 com mais 2 lançados nos anos seguintes. O próprio Flory tocando sax alto e cantando a voz barítono.  Esses “co-artistas” estavam acompanhados por um também “co-solista” Conte Candoli no trompete e secundados por uma sessão rítmica de piano, baixo e bateria. Todos juntos tocam canções com solos de Charlie Parker e Med Flory que assinou alguns dos solos, harmonizados com 5 saxes e 6 vozes.

A experiência supersax e supervoices rendeu também registros de apresentações ao vivo até 1999. É necessário extremo talento para se tocar em grupo harmonizado fora do conforto de um estúdio com seus truques.

Med Flory: sidemen que construiu uma obra! nos deixou em março de 2014 e não deixou discípulos.

Escolhi para vocês: 
Uma "seleta" do SuperSax e L A Voices. - Spotify e
Uma apresentação ao vivo mais recente no Festival de Jazz North Sea






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Nota: Este Post foi inspirado nas observações de meu amigo e colega  Thiago Schulze, durante a gravação da edição no. 15 do programa "Estação Jazz", em que apresentamos o Supersax & L A Voices.