(*)“Queridos amigos,
Tive a
maravilhosa experiência de completar duas semanas acompanhando Antonia Bennett (sim, filha do Tony) no famoso Café Carlyle no Hotel
Carlyle. Além de ser minha primeira chance de tocar naquele hall sagrado,
também foi a primeira vez que fiz uma tournée de duas semanas num mesmo local
em Nova York. Isso me deu uma visão interessante sobre o que costumava ser uma
parte normal de qualquer perfil profissional de músicos – a temporada de show em
um hotel.
Foi
ótimo, por duas semanas, vestir um terno e ir para um dos últimos bastiões da
antiga gentileza de Nova York.
O Carlyle é “Old School” (escola antiga)
em todos os sentidos da palavra - a hierarquia dos garçons, todos em uniformes
codificados para suas funções. Os bons modos no atendimento, a elegância da “old school”. Rígido e esnobe e, nestes
dias, basicamente anacrônico.
O que
eu gostei foi que primeiro os clientes jantaram. Em seguida foi servida a sobremesa que
terminada, foram servidas as bebidas pós-jantar e, somente então, o show
começou.
Alguns
clubes de jazz (que devem permanecer sem nome) devem tomar nota de como isso é
feito: Primeiro jantar, depois o show - não jantar enquanto o show está
acontecendo.
Não há nada mais angustiante em ter passado a maior parte de sua
vida estudando sua arte, de modo que, quando você finalmente começa a tocar, há
um cara gordo que corta seu bife bem na sua frente – falta de classe!
Talvez
os velhos tempos não fossem ótimos, mas havia algum decoro que fazia sentido que,
se você procurar bem, ainda existe em nossa cidade.
Estou
feliz por ter sentido esse gosto.
Saudações,
Spyke”
(*)Tradução livre do texto de Michael "Spike"
Wilner no Newsletter dos clubes de Jazz Small’s & Mezzrow – NY, 5 de junho de 2017
Spyke é
músico e um dos sócios que reabriram o Famoso Clube de Jazz de New York, “Small’s”
que fica na 183 W 10th St, New York, NY 10014 (esse clube vai ser assunto em outra oportunidade aqui no “blog
do BetoRocco” .
Hoje o assunto é “Old School Experience in Jazz”
Boas maneiras? Bom!
Requinte? Seria bom.
mas... pelo menos um mínimo de cerimonia.
mas... pelo menos um mínimo de cerimonia.
Um bom local para os músicos:
Palco ou um praticável elevado onde o grupo possa se
posicionar de forma a facilitar a visão pelo público e permitir a interação entre os músicos com sinais durante a apresentação;
Iluminação adequada;
Som de palco se necessário para que “todos ouçam todos”
e se possa alcançar equilíbrio natural do volume e dinâmica da música.
Um
bom local para o público:
Confortável, com visão da cena e boa audição de toda a música apresentada.
Se em ambiente de Restaurante, um serviço impecável,
sendo servido o que foi anunciado, no horário prometido, para que, quando
começar o show se esteja na fase dos “after-dinner drinks”
Se em ambiente de teatro, boas
poltronas, conforto, visão, acústica, etc.
Tudo o que vai acima são “condições ideais” para se
ouvir a música singular que é o
Jazz.
Uma combinação não muito fácil de encontrar hoje em
dia, e mesmo longe das expectativas da maioria do público de agora que busca
locais com música ao vivo.
Consequentemente, os fornecedores (músicos inclusive),
sensíveis a essa “análise de valor”, - cliente tem sempre razão - retiram da
oferta aquilo que não poderá ser pago ou mesmo entregue.
Alguns hotéis de classe e clubes de jazz pelo mundo ainda podem oferecer essa receita quase completa. Dentre eles o “Carlyle” NY.
O “Café Carlyle
NY” chega divulgar no site o que me pareceu um "manual
para frequentar o ambiente" disfarçado em FAQ - “Frequently Asked Question” que
pode ser acessado clicando “aqui” (infelizmente o link está fora do ar).
Rigorosamente “Old School” já não se pratica há tempos.
Quem ouve atentamente álbuns gravados em Clubes de Jazz, por exemplo: o antológico
“Sunday at The Village Vanguard - Bill Evans Trio” (NY 1961) ou Jim Hall –
Live in Toronto – 1975, reconhece alguns ruídos de conversas e de serviços que
vazam para a gravação.
Há pouco tempo recebi um pequeno trecho gravado - sorrateiramente - pelo celular, de uma apresentação em um Jazz Club em NY, e... (surpresa!) lá estava o indefectível som do 'pic
pic pic' dos talheres no filet mignon...
, em um dos mais famosos clubes de Jazz de NY!!!
Mas, “Old School” continua sendo meu sonho (impossível?),
algum dia chegarei lá!
Enquanto isso vamos nos deliciar com uma verdadeira
apresentação de "Old School": (com jazz da melhor qualidade)
Marian McPartland (piano),
meu grande
ídolo Joe Morello (bateria)
Vinnie Burk (contrabaixo)




Se fosse no Brasil certamente ouviriamos muito mais sons indefectiveis não somente de talheres mas de mal educados falando alto. Mas a estratégia do Carlyle é boa - jantar e drinks primeiro! Quem sabe um dia os brasileiros cheguem lá...rs
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