A moderna música popular norte-americana - os Standards compostos principalmente entre os entre os anos de 1910 e 1960 nos Estados Unidos, criou um acervo de cerca de 1200 a 1400 canções imortais que sem dúvida formaram a grande contribuição do país à cultura mundial.
2017 marcou os 100 anos da primeira gravação em disco com música de jazz. O cornetista Dominic La Rocca e sua banda, oriundos de New Orleans, realizaram em New York a histórica gravação. Uma banda de brancos, bons músicos, mas ainda sem as características marcantes da música negra que iria se impor a seguir.
O Jazz formatou
e deu acabamento à moderna música popular norte-americana que é muito maior que
ele. No mundo inteiro ela pode ser ouvida. Mesmo em locais onde não se fala
inglês e não se conhece ou até se execra sua cultura, as canções são ouvidas e
muito apreciadas.
Uma música
verdadeiramente democrática, assim como o país não nasceu “do nada”.
Já no tempo
das primeiras levas migratórias para a Virginia no séc. XVII os rudes colonos
que lá se instalaram, almejavam uma vida semelhante à dos burgueses ingleses.
Entre outras regalias, importaram instrumentos musicais como alaúdes, violinos,
oboés e espinetas para o entretenimento.
Mas a música
inglesa não foi transplantada para o novo mundo. A música que se ouvia era
derivada dos madrigais e salmos cantados nas igrejas, com letras diferentes que
refletiam a nova vida na colônia.
Foi na Nova
Inglaterra que se formou a primeira escola de canto, uma instituição puritana,
que ensinava o canto dos Salmos, Dava vazão aos anseios dos peregrinos que
consideravam a música como dom do Criador. Por sua vez, os Salmos e as canções
foram sendo adaptadas ao público do novo mundo, sendo impressas e divulgadas em
toda a região.
Os serviços
religiosos semanais fizeram sua parte na formação musical do povo e longe dos
ouvidos dos ministros, as canções passaram a abrigar versos mundanos adaptados,
baladas populares foram apresentadas nos salões.
Logo abrem-se
escolas de canto por toda parte, professores e também compositores passaram a
publicar com muito sucesso seus livros. A
música como recreação ocupou seu lugar na vida da colônia, nas casas, nos salões
e praças.
Após a
Guerra da Independência com o incremento do comércio com o Velho Mundo,
Companhias de Ópera e músicos profissionais trazendo música europeia, chegam ao
novo país, atraídos pelo grande progresso e crescimento. Apresentavam-se muitas
vezes com o reforço de “cavalheiros privados”, os músicos locais, com muito
sucesso de público. Logo
Companhias foram formadas na América e excursionaram por todo o continente.
Nesse
ambiente de cultura musical religiosa e mundana, tanto o cancioneiro norte
americano quanto o público desenvolveram e amadureceram seu próprio estilo e
gosto com temas nacionais e regionais, agora com as influencias europeias e
depois africanas. Com a influência europeia, a música popular norte americana fundiu a ópera à música popular e também à dança criando a comédia musical.
O fonógrafo,
depois o rádio e a TV, levaram essa música à intimidade de todos os lares
americanos. Isso proporcionou a consolidação de um grande público para a
música, formado por ricos e pobres, jovens e velhos, analfabetos e letrados,
nas cidades e no campo, todos tendo em comum a apreciação de uma música de boa
qualidade.
A moderna
música popular norte-americana - os Standards compostos
principalmente entre os entre os anos de 1910 e 1960 nos Estados Unidos, criou
um acervo de cerca de 1200 a 1400 canções imortais que sem dúvida formaram a
grande contribuição do país à cultura mundial.
Ainda hoje,
quando um grande ou uma grande artista pop e até alguns nem tanto, querem
gravar um trabalho de repercussão maior que do seu público habitual, valem-se
desse acervo monumental para formar o repertório.
É desse
acervo de standards, juntamente com o jazz que este Blog do
BetoRocco irá
dedicar uma parte significativa de seu conteúdo. Aguardem.
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