domingo, 1 de julho de 2018

BOTH DIRECTIONS AT ONCE (um pé no passado e outro no futuro)



Nos anos 1960 John Coltrane já era talvez o mais influente saxofonista da era “pós-bebop”. Além de carreira solo, colaborava  também em álbuns de outros grandes inovadores de seu tempo como Thelonious Monk (piano) e Ornette Colleman (sax). Esteve presente no “Kind of Blue” o mais importante álbum de Miles Davis
Sua sonoridade e seu estilo “modal” de tocar ouvido em seu Álbum de 1960 “Giant Steps” o colocou como dono de um novo estilo de tocar saxofone que influencia músicos de jazz até hoje.

John Coltrane

Ao lado de sua carreira como inovador, levando o jazz a novos caminhos nunca trilhados, também tocava baladas e os standards, produzindo diversos álbuns no estilo como líder e mesmo colaborando com outros artistas.

Coltrane gravou cerca de 154 Albuns, cerca de 60 como colaborador ou co-líder.

Both Directions at Once - “Um pé no passado e outro no futuro” pode ter sido a melhor definição da obra de John Coltrane.

A Gravação

Em março de 1963 Coltrane estava tocando em uma temporada de 15 dias no clube de jazz Birdland. Iria também gravar o antológico álbum de baladas standards do jazz com o cantor Johnny Hartman no famosíssimo “Van Gelder Studios” . Tocaria com seu quarteto clássico: McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (baixo) e Elvin Jones (bateria).
John Coltrane Quartet no Van Gelder Studios

Mas na véspera da gravação, o quarteto foi ao estúdio e produziu, como que em um ensaio, um robusto material de jazz instrumental, contendo várias composições originais, e outras nunca antes gravadas. Aparentemente a sessão teria sido informal pois, ao final, Coltrane levou o material para casa.

O Álbum Perdido de John Coltrane

As fitas ficaram guardadas por 54 anos com a família de Coltrane até o selo de jazz “Impulse!” obter a permissão para lançá-las comercialmente. O que aconteceu em 29 de junho de 2018.

A obra foi editada em formato LP, CD e Stream, contendo sete composições com material original, dois deles sem nome, vários “takes” alternativos de um mesmo tema, materiais riquíssimos para os “jazzófilos” e interessados em música.
Será também o marco de relançamento do selo de jazz “Impulse!”. - um grande “impulso” para jazz.   

Both Directions at Once, o mais importante lançamento de Jazz dos últimos tempos. 

Nas palavras do grande saxofonista, contemporâneo de Coltrane, Sonny Rollins: “Isso foi como achar uma nova sala na Grande Pirâmide”.

Será também o marco de relançamento do selo de jazz “Impulse!”. Certamente um grande “impulso” ao jazz.   




Playlist de John Coltrane no Spotify

Preparei uma Playlist que apresenta Coltrane dos standards para a inovação. Do passado para o futuro.

Começamos com 2 faixas do Álbum com o cantor Johnny Hartman
depois, 4 faixas com grandes temas imortalizados por Coltrane, sedo os 2 primeiros de sua autoria.



Se você foi até o fim dessa primeira playlist, prepare-se! 
Abaixo está o Álbum Perdido 







domingo, 24 de junho de 2018

PIONEIROS DO JAZZ PAULISTANO



Billy Ponzio – Baterista e Produtor
O Billy Ponzio começou sua carreira em 1989 ingressando no CLAM, a famosa escola do Zimbo Trio. Suas primeiras experiências como músico foram ecléticas. Bandas de Rock Progressivo e outra de Gaitas de Foles Escocesas.

Billy Ponzio

Migrou para o Jazz ao ingressar na Tito Martino Jazz Band, banda dedicada ao estilo de Jazz Tradicional, liderada pelo famoso clarinetista, um dos mais antigos músicos de jazz radicados na capital de S. Paulo.
A Tito Martino Jazz Band congrega jazzistas das novas gerações com grandes músicos veteranos, que ainda estão em atividade.

O Registro dos Pioneiros
Nas apresentações e em tournées, Billy teve oportunidade de tocar e conviver com esses músicos de alto nível e de grande experiência. Resolveu, como se faz hoje em dia, com a ajuda de um “crowd-funding”, produzir reuniões em estúdio de alguns desses pioneiros, tocando seus temas preferidos, acompanhados por uma “cozinha”, (basicamente: piano, contrabaixo e Billy à bateria)

Show de lançamento do CD Os Pioneiros do Jazz

Registrou tudo no CD – Os Pioneiros do Jazz Paulistano e, como se faz hoje em dia, publicou o CD no Spotify
Show de lançamento do CD Os Pioneiros do Jazz

Os Pioneiros do Jazz Paulistano
Os escolhidos pelo Billy foram: 
Hector Costita, Saxofonista e Clarinetista consagrado, radicado no Brasil desde 1958 quando inaugurou a Boate Baiúca em SP. Gravou em 1962 o disco “Dick Farney Jazz” com famoso pianista; foi para o “Beco das Garrafas” formando com grandes músicos da bossa-nova o  Conjunto Bossa Rio liderado por Sergio Mendes, com ele gravou em 1963 o antológico disco “Você ainda não ouviu nada!” – o primeiro disco no gênero “samba-jazz” apreciado no mundo inteiro até hoje;  Gravou discos como líder, em especial o disco de samba jazz “Impacto” liderando um sexteto com alguns temas de sua autoria; contribuiu em vários discos de outros artistas, destacando-se um com o Zimbo Trio e o Guitarrista Heraldo do Monte, com músicas de Milton Nascimento. Atualmente lidera um quinteto se apresentando por todo o Brasil.
LP editado em 1964

André Busic, (Iuguslávia) cornet radicado no Brasil desde 1960. Co-fundador da Traditional Jazz Band, participou da gravação do disco A Era de Ouro do Dixieland com a Traditional Jazz Band em 1975 gravou Jazz para trilha sonora de novela; Tocou diversas temporadas em New Orleans; é líder da banda Hot Line Jazz Band.

A "Era de Ouro" com dedicatória de outro pioneiro, o contrabaixista Daniel Grisanti a esse escriba ;)

Carlos Lima – trompete, brasileiro, formou com a Traditional Jazz Band em 1975 até os anos 1980, participando de diversas gravações, filmes e programas de TV com a banda. É atualmente o trompetista da Tito Martino Jazz Band.

Carlos Lima

Luchin Montoya - piano, natural do Chile, tocou com a Traditional Jazz Band nos primeiros tempos, tocou com muitas formações no cenário do jazz de São Paulo.

Luchin Montoya

Tito Martino - clarineta, brasileiro, formou sua primeira banda de Jazz em 1957; fundador da Traditional Jazz Band; fundador do OPUS 2004 famosa casa de Jazz de São Paulo dos anos 1970 e 80. Líder da Tito Martino Jazz Band, é um importante preservador do Jazz tocado ao estilo de New Orleans em São Paulo.

Tito Martino

Mas Jazz Paulistano – o que é?
Não! O jazz tocado em São Paulo não tem sotaque do Brás e nenhuma característica que o diferencie do tocado em qualquer parte do mundo.
Podemos encontrar a característica do Jazz Paulistano nos músicos que inicialmente o trouxeram para a cidade.

Traditional Jazz Band - a mais famosa do jazz paulistano

Como os próprios pioneiros contam em suas entrevistas, nos idos dos anos 1940, 50 o Jazz não era muito ouvido na noite de São Paulo. Com a exceção das visitas dos músicos estrangeiros que vinham se apresentar, pouco se tocava jazz por aqui
A primeira geração de músicos paulistas que tocavam unicamente jazz foi criada por influência de imigrantes estrangeiros, principalmente europeus do leste que trouxeram de seus países o estilo de Traditional Jazz que lá era muito apreciado, provavelmente devido à grande divulgação da musica popular norte americana durante e após a 2ª. Guerra Mundial. (veja meu Post sobre V-Disk). Podemos até arriscar também a hipótese de que, nos primórdios do jazz, a influência da música europeia era mais marcante, isso pode ter causado naqueles povos, alguma identificação de elementos de suas músicas folclóricas com o jazz e assim passando a incluí-las em seu repertório. Até hoje existem grupos europeus que se dedicam ao Jazz ao estilo “Traditional” inserindo alguns temperos franceses, ciganos, etc.

Traditional Jazz Band no Opus 2004 (anos 1970)

Outra característica dos “Pioneiros Paulistanos” do Jazz foi o diletantismo. Muitos músicos eram universitários que escolheram outras profissões e conciliavam sua atividade profissional com a música. 
Houve uma outra banda, a Swiss College Dixie Band, fundada em 1975 só com integrantes da comunidade suíça de S. Paulo, alguns deles professores da Escola Suiço-brasileira. Tive a oportunidade de integrar a “Swiss College” de 1978 a 1989, sendo eu naquela época o único estrangeiro na banda. A Swiss ainda está em atividade e dela participa seu fundador, Heinz Brunner ao piano, agora com os demais integrantes brasileiros.
Swiss College Dixie Band em sua formação de 1985/86
BetoRocco à Bateria

Encerrando
Billy Ponzio continua sua carreira artística na Tito Martino Jazz Band e atuando como produtor, lançando discos e ganhando prêmios. 
Vejam no site www.billyponzio.com .

Abaixo uma playlist com destaques do CD 
Os Pioneiros do Jazz Paulistano







A seguir links para entrevistas onde alguns Pioneiros contam suas histórias. 
Vale a pena conhecer!

TitoMartino             Hector Costita           André Busic

sábado, 16 de junho de 2018

RADIO ALVORADA K7 01 1988 e antes



Estava preparando um novo texto para o Blog ouvindo a Rádio Alvorada do Dirceu Câmara Leal, Fita 1 de março-abril de 1988...

Não resisti! Preciso compartilhar com vocês! (quem estiver lendo meu Blog pela primeira vez, leia o post anterior primeiro)

Aí está o segundo programa, muito variado, mostrando a sensibilidade do Câmara Leal para música e o talento para produzir um programa que nos faz querer ouvir até o fim.

Com todos os hisses da fita cassete, os humms do equipamento amador e os rumbles e pops dos LPs.  

Para quem nasceu depois da música digital dos CDs, DVDs e Streamers, era assim que ouvíamos música até os anos 1990. 

Quem ainda se arrisca a “pôr para girar no pick-up” um LP de vez em quando como eu, ainda ouve...

Não vou antecipar o roteiro para manter as surpresas do programa.

Clique o “Play” e bom programa!




Post Scriptum:

Tenho sentido muita falta de comentários dos leitores às minhas postagens. Meu amigo Will deu uma pista: parece que quem acessa o blog em endereço “.br” não consegue postar um comentário válido.


Esta semana estou corrigindo o endereço no anúncio:  https://betorocco.blogspot.com “sem o .br” para ver se é por isso que não recebo comentários. 
A ver.

domingo, 10 de junho de 2018

DIRCEU CÂMARA LEAL – UM PIONEIRO



Depois de tocar para minha amiga Tera Leopoldi algumas edições do meu programa de Rádio Web “Estação Jazz” na RádioGeekBR, conversamos sobre apreciação musical. Dias depois, Tera me presenteou com uma coleção de fitas cassete produzidas por um colega professor nos anos 80.

Um Tesouro!

Levei para casa, fui ouvindo uma a uma e percebi que estava diante de um tesouro.

Em 1988, Dirceu Câmara Leal iniciou a divulgação de um “Programa de Rádio”, que seria distribuído a seus “sócios-ouvintes”, com o intuito de compartilhar apreciação musical e poética. Era um programa de rádio mesmo, com música de fundo narrador, vinhetas, etc., onde Câmara Leal iria apresentar e comentar músicas para apreciação. 

O objetivo era utilizar a música para tocar a sensibilidade dos ouvintes. Nas palavras do autor: “Fugir do medo da vida fazendo um som direto, para entrar em contato com vocês, invadir a praia de vocês, invadir a casa de vocês. Vocês serão os nossos cúmplices.” Os programas seriam entregues por meio de fitas cassete que se poderia ouvir em qualquer lugar, no carro, no walkman, em casa, no trabalho, “numa casinha de sapé”... 

Câmara Leal já havia produzido programas semelhantes com sucesso anos atrás, como comenta no próprio “programa zero”. Agora, neste caso, o programa foi editado regularmente por 4 anos e pouco.



Capa da Rádio Alvorada numerada e por sócio

O Sistema - A “Rádio” funcionou assim:

O interessado tornar-se-ia sócio, a partir do envio diretamente ao produtor dez fitas cassete. Isso daria direito a receber a "rádio" por um ano.

A cada 2 meses uma nova edição. O sócio recebia o programa em mãos ou no próprio endereço.

Câmara Leal também incentivava os ouvintes a repassar as fitas para que outros pudessem conhecer e apreciar o trabalho, aumentando assim a quantidade de ouvintes (invadidos).

A “Radio” funcionou por pouco mais de 4 anos, produzindo 26 programas. (fitas de 0 a 25) Tenho em mãos 18 delas!

O Produtor

Tenho poucas informações sobre Dirceu Câmara Leal, professor, um homem das letras influente. Seu poema “Tango” inspirou um Curta Metragem e uma peça de teatro (links para o poema e obras vão abaixo nas referências). Faleceu precocemente. Sem dúvida seu trabalho com a “Rádio Alvorada” o faz precursor dos Podcast’s da internet. Fosse hoje, Dirceu Câmara Leal teria centenas de milhares de seguidores.

A Obra – Ouvir para curtir

No painel abaixo, você meu leitor poderá ter sua praia invadida pela Rádio Alvorada, basta clicar o PLAY.









Caso seja do interesse dos leitores, poderei tornar disponíveis as demais edições da “Rádio Alvoorada" 

Deixe seu comentário ou escreva direto para 0 BetoRocco roberto.rocco@outlook.com 

Referencias: 

https://www.youtube.com/watch?v=yDy7RlPZpPk Walter Quaglia 

https://cachalote.wordpress.com/tag/dirceu-camara-leal/


https://www.youtube.com/watch?v=qQvGgZ_fpBs Rodrigo Cavana


Post Scriptum - Um pequeno histórico da Fita Cassete:

Fita Cassete ou “Compact Cassette”, para os íntimos K7. 

Uma revolução no modo de ouvir música!



Até 1963, para ouvir música de forma mecânica (não ao vivo) era necessário comprar os discos LP, álbuns com cerca de 45 min de música ou  discos Compactos cerca de 10 min. Ou ligar para o programa de rádio e pedir ao Disk Jockey (DJ da época). 
No limite ir à casa de quem tinha o disco e pedir emprestado...

Lançada pela Phillips em 1963, uma fita magnética de ¼ de polegada enrolada dentro de um estojo de plástico e o aparelho gravador/reprodutor portátil, movido à pilha. Um programa de 60 minutos (30 de cada lado). Aparelho baratíssimo, pensado para revolucionar o mercado de aparelhos de ditado para datilógrafas. 



Já vendia nos EUA em 1966, 250.000 aparelhos  e não para ditado mas para permitir ouvir música gravada, para se ouvir em qualquer lugar, “sem precisar comprar”. Bastava copiar do amigo que tinha o LP.

A fita Cassette, pela primeira vez, popularizou as gravações dos mais variados assuntos, coisa que antes só era possível com equipamentos mais complexos pesados, caros, difíceis de manusear.

Com qualidade de som bem restrita, nos 5 a 10 anos seguintes ganhou aperfeiçoamentos nos equipamentos e na mídia chegando a desempenho profissional. Os tape-decks tornaram-se, mais que os toca-discos o equipamento de se ouvir músicas. O Cassete também fez todo mundo ouvir musicas no carro no lugar das rádios FM.

Foi com o K7 também, outra revolução no modo de se ouvir musica, pois tirou dos ambientes fechados e de audição coletiva e a levou à audição pessoal com o advento do Sony-Walkman a partir de 1979.

Sony - WalkMan

Mas, surpresa! Foi também o “compact-cassette” a primeira mídia utilizada para compartilhamento de conteúdo em massa. Com custo baixo tanto da fita quanto dos equipamentos, foi instrumento de disseminação das idéias do Aiatolá Khomeini. No exílio na França e depois em Bagdá, sua mensagem chegava às massas por meio de fitas-cassete gravadas durante conversas ao telefone, preparando as massas para a revolução que viria.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

JAZZ STANDARD, O QUE É ISSO?


JAZZ STANDARD, “padrão de Jazz” na tradução literal, é de modo geral uma canção importante no repertório de músicos de Jazz. É muito conhecida e apreciada, sendo tocada ao vivo e gravada no repertório do Jazz. Ela também é conhecida e apreciada pelos ouvintes habituais. É uma composição que se tornou padrão sendo executada ao longo do tempo seja no seu estilo original ou ao estilo jazzístico do músico executante. (para saber mais sobre a AMERICAN STANDARD SONG, releia o texto neste Blog A Maior Música Popular do Mundo )
As JAZZ STANDARDS formam uma lista sempre crescente formada por:
  • inicialmente a própria música tradicional e folclórica norte americana;

  • musica “Tin Pan Alley”, termo empregado para definir as canções de compositores e letristas que trabalhavam para empresas editoras musicais situadas no setor Alameda do Estanho” na West 28th Street em Nova York na primeira metade do séc XX e depois tornando-se um termo genérico para editores de músicas;

  • músicas escritas para musicais da Broadway e filmes de Hollywood;


  • músicas compostas pelos próprios músicos de Jazz;

  • canções marcantes de todo o mundo como por exemplo “Wave” de Antônio Carlos Jobim, “Autumn Leaves” (Les Fleurs Mort) do Húngaro Joseph Kosma e Prévert, "Nuages" do guitarrista Django Renhardt.


Fred Astaire com os irmão Gershwin

Podemos encontrar dezenas, às vezes centenas de versões das JAZZ STANDARDS gravadas em estúdio para Albums ou registradas em audições ao vivo em clubes de jazz, festivais, rádio e TV, etc. Cada uma delas diferente e revestida do estilo e da interpretação pessoal do artista de jazz (improvisação) que a torna singular, única.


Gerome Kern

A divulgação e disseminação das JAZZ STANDARDS para os músicos nos últimos tempos vem sendo feitas através dos “FAKE BOOK” que são coleções de transcrições de temas de Jazz em partituras simplificadas, com a linha melódica para instrumento de sopro ou piano, os acordes da harmonia e às vezes também a letra. Isso facilita o aprendizado de novos temas e auxilia os músicos a terem um denominador comum para as JAM SESSIONS – sessões informais de jazz e mesmo em shows.
 


Muitas edições diferentes, algumas voltadas para determinado instrumento


Alguns exemplos de JAZZ STANDARDS e respectiva época:

1920 – Jazz Ages:


Charleston, Black Bottom, Sweet Georgia Brown, Dinah, Bye Bye Blackbird, Honey Suckle Rose, Ain’t Misbehavin, Stardust, The Man I Love, Blue Skies, “What is This Yhing Called Love?, - Alguns
Compositores: Fat’s Waller, Hoagy Carmichael, Mitchel Parish, George e Ira Gershwin, Irving Berlin, Cole Porter.

1930 – Broadway & Swing era


Sumertime, My Funny Valentine, All the Things You Are, Body and Soul, It don’t Mean a Thing (if Ain’t got that Swing), Sophisticated Lady, Caravan, After you’ve Gone.

Alguns Compositores além dos citados – Richard Rogers and Lorenz Hart, Jerome Kern, Oscar Hamerstein, Johnny Green, Duke Ellington

1940 – last od Swing - Bebop


Cotton Tail, Take the “A” Train, A Night in Tunisia, Yardbird Suite, Scraple from the Apple, Round Midnight.

Alguns Compositores além dos citados – Billy Strayhorn, Charlie Parker, Dizzy Gillespie


Duke Ellington e Billy Strayhorn  

1950 em diante


Kind of Blue, All Blues, So What?, Impressions, Maidem Voyage, Footprints, My Favorite Things, Sumer of 42

Alguns Compositores além dos citados – John Coltrane, Miles Davis, Herbie Hanckok

Concluindo:


As JAZZ STANDARDS são facilmente encontradas no Youtube, Spotify. Acho que com as fontes acima você vai conseguir reconhecê-las

Me conte se conseguiu.

Post Scriptum 1


Hoje, 30 de maio a grande figura do Jazz BENNY GOODMAN, compositor, clarinetista de Jazz, Bandleader completaria 109 anos. 

Para comemorar a efeméride, Thiago Schulze, meu co-apresentador e produtor do programa Estação Jazz  e eu, nos encontramos de forma virtual no estúdio da Rádio Geek BR e programamos uma gravação antológica do The Benny Goodman Quartet - I Got Rythm - 1959 para compartilhar com meus caros leitores:




Post Scriptum 2
Eliane Elias no Brasil! - Clube de Jazz  Blue Note no Rio de Janeiro 23 e 24 junho 


quarta-feira, 23 de maio de 2018

UM SONHO QUASE IMPOSSÍVEL


ELIANE ELIAS é uma pianista paulistana, que em 1982 iniciou sua carreira de jazzista em Nova York. Havia recebido o empurrão final para se transferir para os EUA do grande contrabaixista EDDIE GOMEZ que encontrou em Paris quando fazia uma viagem de reconhecimento do ambiente musical internacional.

Jovem de vinte e poucos anos, mulher e não nativa, se apresentava nas "jam sessions" e audições como pianista... tinha tudo contra ela! Exceto que: começando a aprender piano aos 7, incentivada pela mãe pianista diletante; aos 12 já transcrevia os solos dos grande pianistas do jazz e dominando também os standards; aperfeiçoou sua pianística com o grande AMILTON GODOY (Zimbo Trio); depois, uma breve carreira no Brasil como pianista de TOQUINHO e VINICIUS DE MORAES. Quer dizer, já era uma musicista madura.

Contracapa do LP de estréia: Illusions - Eliane Elias - Ed BR 1997 (do meu acervo pessoal)
destaque para os músicos participantes

Um ano depois, em 1983 já estava em tournées com grupo de "Jazz Fusion" “Steps Ahead”, com o próprio GOMEZ e o Saxofonista MICHAEL BRECKER. Logo assinou com o selo “Blue Note” onde lançou seu primeiro disco solo “Illuisions” nome de uma das quatro faixas de sua autoria. Seguiram-se outros albums como solista e também como "side-woman" de outros artistas. Destaco entre eles, um com canções de TOM JOBIM com arranjos e harmonias desenvolvidas por ELIANE e previamente apresentadas ao grande Maestro, que ficou muito entusiasmado com suas soluções harmônicas inovadoras.

CD Eliane Elias Plays Jobim - Ed BR. 1990

Em menos de dez anos ELIANE ELIAS já estava consagrada como “jazz woman” e artista internacional. Até 2017 havia lançado 25 albums como solista tendo recebido além de Grammy’s, prêmios de revistas especializadas nos EUA, Europa e Japão. ELIANE passou a cantar também e alternava trabalhos de jazz com bossa nova e até algumas incursões no pop, nunca deixando de apresentar em todos eles seu piano incrível.

Mas, quase esquecido estava um “master work” produzido por Eliane Elias e não lançado na época.

Mitch Leigh - o compositor

Em 1995, MITCH LEIGH, compositor das canções da premiada versão do Homem de La Mancha na Broadway em 1964, ( 2.328 performances, 5 Tony Awards, inclusive de melhor musical do ano em 1965), convidou ELIANE ELIAS para criar uma versão instrumental da sua trilha sonora. Justificou seu pedido no entusiasmo sentido ao ouvir o trabalho da pianista no CD “Eliane Elias Plays Jobim”, que citei acima. Um grande desafio, pois ao contrário da obra de JOBIM, muito musical e amplamente conhecida, a grande força das canções do Homem De La Mancha estava na poesia. ELIANE recebeu total autonomia artística para o trabalho, inclusive para a escolha das canções.

Eliane Elias mergulhou no trabalho. Selecionou a canção título “The Impossible Dream”, “A Little Gossip”, “To Each His Dulcinea” que deu título ao álbum, e mais seis canções. Escolheu ritmos, e adaptou de tal forma que as músicas exibissem uma nova carga de emoção que não existia na trilha original. Para acompanhá-la chamou duas sessões rítmicas: EDDIE GOMEZ (contrabaixo) e JACK DE JONETTE (bateria) e MARC JOHNSON (contrabaixo), (seu atual marido) e SATOSHI TAKEISHI (bateria) ambos complementados pelo grande percussionista espanhol MANOLO BADRENA.

Eliane Elias - To Each His Dulcinea - 2018

O resultado foi mais que uma adaptação. Foi uma maravilhosa recriação dos temas escolhidos, incluindo re-harmonizações, seções de improvisação, novas introduções, interlúdios e finais, embalados por ritmos latinos e brasileiros como frevo, baião, samba, também com pitadas Ibéricas.

A gravação foi realizada no ”Power Station Studio” em NY e mixada no Studio Secreto do compositor Leigh que acompanhou com entusiasmo boa parte das gravações.

Curiosamente o trabalho foi engavetado por motivos contratuais, e só foi lançado, 25 anos depois, em abril passado, pelo Selo "Concord", infelizmente depois da morte do autor que nos deixou em 16 de março de 2014.

Mais uma obra formidável que por pouco não ficou fora do alcance do público e principalmente dos apreciadores de músicas singulares.


Abaixo apresento 2 links para o Spotify com amostras das obras:  



#1 Eliane Elias - To Each his Dulcinea 



#2 Eliane Elias Plays Jobim 


sábado, 12 de maio de 2018

JAZZ... SEMPRE O MESMO?


Muitas vezes se pensa que quem ouve Jazz aposentou seu hábito de comprar albums novos, restringindo-se a ouvir os mesmos discos e intérpretes e buscar "novidades" nos sebos e nas vendas de edições usadas, na internet.

Ao contrário, não é fácil acompanhar os lançamentos de novos Albums de Jazz. Qualquer consulta às revistas especializadas do gênero como Down Beat, Jazz & Blues e outras, nos mostra a cada edição, uma dúzia de lançamentos sendo indicados e resenhados. Embora não tão grande quanto o mercado da música pop, o mercado de jazz é bastante movimentado.

Outra grande fonte de novidades são as edições ampliadas de albums famosos do passado. São agora incluídas faixas que na época foram deixadas de lado ou por causa das limitações de espaço nos Long Plays ou por não terem sido selecionadas. Gravações de shows de TV de grandes nomes do passado ocorridas principalmente na Europa, também tem sido lançadas nos formatos de DVD.

TONY & BILL

Posso citar como exemplo, o re-lançamento dos dois famosos álbuns da Fantasy Records que TONY BENNETT gravou com o pianista BILL EVANS. O primeiro em 1975, “The Tony Bennett Bill Evans Album”, o segundo em 1977, “Tony Bennett and Bill Evans Together Again”.
Agora a Concord Records que é dona da Fantasy, editou, 40 anos depois do lançamento original, 4 LPs em caixa de luxo com faixas extras e tomadas alternativas às utilizadas nos albums originais, bem como informações, comentários e fotos sobre as gravações. Uma caixa de CDs com a obra também foi editada.

Tony Bennet e Bill Evans com a produtora Helen Keane e o Eng. Don Cody  (Tom Vano)

QUASE ESQUECIDOS

Mas em alguns casos, trabalhos inteiros foram engavetados sem serem lançados. Motivos comerciais e jurídicos encabeçam as razões para essas praticas. Mas em alguns casos as gravações estavam mesmo perdidas.

ELLA

No final de 2017, comemorando os 100 anos do nascimento de ELLA FITZGERALD (1917, 1996), a Verve Records lançou um album inédito da grande artista. Gravado ao vivo em 1956 (há 61 anos!) em Los Angeles “Ella at Zardi's", un clube de Jazz. Essa obra havia sido deixada de lado na época, para não atrapalhar o lançamento do famoso “Ella Fitzgerald Sings The Cole Porter Song Book”.
Muito bem gravado, ao vivo, acompanhada por um competente trio Ella está no auge de sua performance nas 21 faixas, interpretando em algumas os seus famosos "scat singing" que é uma interpretação vocal que substitui a letra das canções por silabas onomatopaicas, sugerindo a voz como instrumento musical.


LOUIS

Recentemente o selo MOSAIC lançou uma coleção , de LOUIS ARMSTRONG em uma caixa de luxo, com 9 CDs com gravações feitas entre 1947 e 1958 em performances ao vivo. Os discos já haviam sido publicados originalmente em vinil pela RCA Victor e Columbia.
Mas agora 4 álbuns inéditos foram adicionados, No formato de vinil com as apresentações completas de Louis Armstrong & All Stars nos festivais de Newport de 1956 e 1958.
O interessante dessas gravações é que Armstrong, ainda no auge de sua carreira, aparece em concertos históricos como em 1947 na Câmara Municipal de Nova York (New York City Hall) e no famoso Carnege Hall.
Acompanhado pelos melhores da época, como Jack Teagarden, Barney Bigard, Arvell Shaw, Peanuts Hucko, Dick Cary, George Wetting e outros
Outro ponto importante está na qualidade da gravação, que vinha melhorando muito a partir de 1945, o que permite ouvir com muita clareza todos os instrumentos.
Algumas das gravações apresentadas nessa caixa foram encontradas recentemente. Estavam perdidas por terem sido guardadas com etiquetas erradas!...

Louis Armstrong

CONCLUINDO

Jazz é um gênero musical em que o músico executante faz parte da arte. A produção de Jazz em 100 anos é muito maior que a possibilidade de qualquer pessoa conhece-la integralmente. É tarefa para poucos que dedicam sua vida inteiramente ao assunto. Para nós reles mortais, descobrir novos artistas no passado e no presente pode ser uma atividade diária pelo resto de nossos dias. Que bom!


ABAIXO LINKS PARA  "PLAYLISTS" DESTES LANÇAMENTOS NO
Spotify 




Tony and Bill No Spotify


Ella no Spotify


Louis no Spotify