sábado, 18 de agosto de 2018

FIREHOUSE FIVE – Quando o Jazz pegou fogo


Os pioneiros do cinema (mudo) utilizavam a música para dinamizar a dramatização dos filmes. Ela era executada ao vivo nas salas de projeção por pianistas ou pequenos conjuntos. Algumas produções mais sofisticadas chegavam a enviar guias para os maestros ou até uma música específica para a sala de projeção.

Nos primórdios dos desenhos animados, também se usava a música para turbinar a emoção. Walt Disney e sua equipe utilizaram intensamente a música para aumentar a dinâmica, vejam como  exemplo “Donald Duck 1949 Sea Salts”

Não seria surpreendente o uso do Jazz para isso.

Em 1946 Walt Disney lançou um desenho com o Jazz Standard “After You’ve Gone” na interpretação do Benny Godman Quartet.

A integração entre imagem e música foi espetacular (para a época).Todos os desenhos ainda eram criados e produzidos “à mão” nas pranchetas. Essa exibição sugeria uma capacidade de percepção musical significativa dos desenhistas que criaram o desenho. 

E existia mesmo! Foi confirmada logo nos anos 1950 com o lançamento da banda “Firehouse Five”. Composta quase toda por artistas do departamento de desenho animado Disney, eles se reuniam para tocar Jazz à noite depois do trabalho. Eram diletantes portanto.

A Banda estreou em um especial na TV em 1950 e ficou ativa até 1972 com seus participantes sempre mantendo seus trabalhos diurnos no Disney Studio.

A FIREHOUSE FIVE PLUS TWO lançou nesse período 13 Álbuns, alguns relançados em CD.



A banda dos desenhistas do Walt Disney  fez parte de um grande Revival do Traditional Jazz que ocorreu nos anos 1950. No mundo todo surgiram muitas bandas desse estilo no período.



A Firehouse Five Plus 2  era composta por: (fonte Wikipedia)

Artista
Instrumento
Profissão
Danny Alguire
Cornet
Especialista em digitais da Polícia de Los Angeles
Harper Goff
Banjo
Designer e Criador no Disney Studios
Ward Kimball
Trombone, sirene, pandeiro e líder
Animador Lider
Clarke Mallery
Clarineta

Monte Mountjoy
Bateria

Erdman (Ed) Penner
Sax soprano e baixo, depois tuba
Redator no Disney Studios
Frank Thomas
Piano
Animador Líder no Disney Studios



Jimmy MacDonald
Bateria
Chefe do setor de som
George Probert
Clarineta e Sax Soprano

Dick Roberts
Banjo

Ralph Ball


George Burns
Trombone



Veja o desenho “Donald Duck 1949 Sea Salts”




Veja a performance do Benny Goodman Quartet em After You've Gone - 1946  






Delicie-se com o Firehouse Five plus Two  





sábado, 11 de agosto de 2018

FINESSE, SIMPATIA, TALENTO, FORMAÇÃO MUSICAL, JAZZ = MARIAN McPARTLAND

Quando chegou em Chicago IL, para se lançar no cenário do Jazz em 1945, a pianista Marian tinha poucos “prós”, uma robusta formação musical, influenciada desde cedo pelo piano de TEDDY WILSON, e fã de DUKE ELLINGTON e MARY LOU WILLIAMS e muitos “contras”  a saber: 26 anos, mulher, branca, casada, inglesa, 26 anos... 


Mas ao nos deixar em 2013 aos 93 anos, Marian registrava um legado significativo entre eles:

56 álbuns gravados como solista entre 1951 a 2008.

9 graus honoríficos em educação musical, de universidades americanas, dentre elas da Berklee College of Music.

12 prêmios de música e Jazz, incluindo um Grammy “Trustees Award”, “American Eagle Award”, “Hall of Fame”, etc.

Liderou Trio de Jazz com seu nome, que se apresentou nos anos de 1950 no famoso Hickory House Club, NY tendo como baterista o grande Joe Morello (meu grande ídolo) que depois integraria o The Dave Brubeck Quartet (Take Five)

Estrelou de 1978 a 2011 o PIANO JAZZ, o mais longevo programa “cultural” em uma rádio pública, a NPR (National Public Radio), onde as mais famosas personalidades do Jazz compartilhavam com Marian sua intimidade musical e às vezes a pessoal, tocando e contando suas histórias, influencias, estilo e tocando em dueto. Não raro recebiam da entrevistadora uma composição musical em sua homenagem.

Marian, nasceu Marian Margaret Turner em Windsor, UK a 20/03/1920, de uma família de músicos. Menina-prodígio que tocava valsas de Chopin aos 2 anos de idade, estudou violino por 5 anos e em seguida ingressou na “Guildhall School of Music and Drama” em Londres. Aos 20 anos deixou a escola e passou a integrar um quarteto de pianistas de Vaudeville adotando o nome de Marian Page. O grupo excursionou pela Europa em guerra entretendo as tropas aliadas. Durante a tournée, conheceu em 1944 o cornetista JIMMY McPARTLAND com quem se casou e passando a adotar o sobrenome do marido.
Com Mary Lou Williams

Com o término da guerra o casal McPartland passa a residir em Chicago IL e logo depois NY, onde participavam da vida social e musical recebendo em casa inúmeros músicos amigos de Jimmy. 

Nessa época, Marian McPartland estendeu suas atividades musicais tocando e sendo muito apreciada como musicista. Participa de programas musicais no rádio e na TV, toca com grandes figuras do jazz, e no início dos anos 1960 funda seu próprio selo de discos. 

Não consigo imaginar uma pessoa que tenha circulado e mais que isso, interagido pessoal e musicalmente com uma quantidade maior das maiores personalidades do Jazz que viveram entre 1940 e 2013. Que vida admirável.



Uma pequena amostra dos entrevistados no programa “Piano Jazz”:

Mary Lou Williams; Bill Evans; Oscar Peterson; Teddy Wilson; Chick Corea; George Shearing; Dave Brubeck; Dizzy Gillespie; Carmen McRae; Henry Mancini; Sarah Vaughan; Michel Petrucciani; Mel Torme; Herbie Hancock; Gerry Mulligan; Lionel Hampton; Stéphane Grappelli; Ray Charles; Jack DeJohnette; Clint Eastwood; George Duke; Diana Krall; Regina Carter; Michel Legrand; Jane Monheit; Tony Bennett; Keith Jarrett; John Pizzarelli; Mimi Fox; Eliane Elias; Claudio Roditi.

Mesmo uma pessoa completamente alheia à música deve conhecer alguns dessa lista.


Quem leu até o fim o meu post anterior, OLD SCHOOL, já conheceu a Marian McPartland pianista.


Selecionei links para o programa PIANO JAZZ com MARIAN McPARTLAND  ainda disponíveis no site NPR.org

Nota: links para o site oficial da NPR. O programa tem apenas audio. Clique o "Play" logo no canto superior esquerdo  e delicie-se!


Eliane Elias, nos anos 80 com seu primeiro álbum "Ilusions" recém lançado, é interessante perceber a mútua admiração de Marian e Eliane 






Conheça também o estilo Vaudeville com um grupo velho conhecido...


UM CAFÉ LÁ EM CASA: 
(uma palhinha de um próximo Post)


Café lá em Casa com Costita

O artista NELSON FARIA, guitarrista de renome internacional lançou há anos atrás o programa "UM CAFÉ LÁ EM CASA" num canal Youtube, nos moldes do que seria o  PIANO JAZZ no mundo globalizado.
Audio e video, entrevistas mescladas com música, duração de 30 minutos, financiado por uma confraria. Muito bem produzido, fez muito sucesso na Web e passou a ser exibido no Canal ARTE1 na TV por assinatura. 
No programa o Nelson recebe artistas, músicos consagrados e também aqueles que só conhecíamos o som, os músicos de estúdio e os "side man" aqueles que acompanham um artista sem ser protagonista. 
Fico imaginando o que o Nelson não faria com um programa de 50 minutos...(sem trocadilho)

Vale a pena conferir:

UM CAFÉ LÁ EM CASA com HECTOR COSTITA - (um dos meus prediletos)

sábado, 21 de julho de 2018

OLD SCHOOL – BOAS MANEIRAS OU VELHARIA?



(*)“Queridos amigos,

Tive a maravilhosa experiência de completar duas semanas acompanhando Antonia Bennett (sim, filha do Tony) no famoso Café Carlyle no Hotel Carlyle. Além de ser minha primeira chance de tocar naquele hall sagrado, também foi a primeira vez que fiz uma tournée de duas semanas num mesmo local em Nova York. Isso me deu uma visão interessante sobre o que costumava ser uma parte normal de qualquer perfil profissional de músicos – a temporada de show em um hotel.

Foi ótimo, por duas semanas, vestir um terno e ir para um dos últimos bastiões da antiga gentileza de Nova York.

O Carlyle é “Old School” (escola antiga) em todos os sentidos da palavra - a hierarquia dos garçons, todos em uniformes codificados para suas funções. Os bons modos no atendimento, a elegância da “old school”. Rígido e esnobe e, nestes dias, basicamente anacrônico.


Café Carlyle  NY

O que eu gostei foi que primeiro os clientes jantaram.  Em seguida foi servida a sobremesa que terminada, foram servidas as bebidas pós-jantar e, somente então, o show começou.

Alguns clubes de jazz (que devem permanecer sem nome) devem tomar nota de como isso é feito: Primeiro jantar, depois o show - não jantar enquanto o show está acontecendo. 

Não há nada mais angustiante em ter passado a maior parte de sua vida estudando sua arte, de modo que, quando você finalmente começa a tocar, há um cara gordo que corta seu bife bem na sua frente – falta de classe!

Talvez os velhos tempos não fossem ótimos, mas havia algum decoro que fazia sentido que, se você procurar bem, ainda existe em nossa cidade.
Estou feliz por ter sentido esse gosto.

Saudações,
Spyke

(*)Tradução livre do texto de Michael "Spike" Wilner no Newsletter dos clubes de Jazz  Small’s & Mezzrow – NY, 5 de junho de 2017

Spyke é músico e um dos sócios que reabriram o Famoso Clube de Jazz de New York, “Small’s” que fica na 183 W 10th St, New York, NY 10014 (esse clube vai ser assunto em outra oportunidade aqui no “blog do BetoRocco” .

Hoje o assunto é “Old School Experience in Jazz”

Boas maneiras? Bom!
Requinte? Seria bom. 
mas...  pelo menos um mínimo de cerimonia.

Um bom local para os músicos:

Palco ou um praticável elevado onde o grupo possa se posicionar de forma a facilitar a visão pelo público e permitir a interação entre os  músicos com sinais durante a apresentação;
Iluminação adequada;
Som de palco se necessário para que “todos ouçam todos” e se possa alcançar equilíbrio natural do volume e dinâmica da música.


Rita Wilson no Cafe Carlyle

Um bom local para o público:

Confortável, com visão da cena e boa audição de toda a música apresentada.

Se em ambiente de Restaurante, um serviço impecável, sendo servido o que foi anunciado, no horário prometido, para que, quando começar o show se esteja na fase dos “after-dinner drinks

Se em ambiente de teatro, boas poltronas, conforto, visão, acústica, etc.

Tudo o que vai acima são “condições ideais” para se ouvir a música singular que é o Jazz.

Uma combinação não muito fácil de encontrar hoje em dia, e mesmo longe das expectativas da maioria do público de agora que busca locais com música ao vivo.

Consequentemente, os fornecedores (músicos inclusive), sensíveis a essa “análise de valor”, - cliente tem sempre razão - retiram da oferta aquilo que não poderá ser pago ou mesmo entregue.

Alguns hotéis de classe e clubes de jazz pelo mundo ainda podem oferecer essa receita quase completa. Dentre eles o “Carlyle” NY.

O “Café Carlyle NY” chega divulgar no site o que me pareceu um "manual para frequentar o ambiente" disfarçado em FAQ - “Frequently Asked Question” que pode ser acessado clicando “aqui” (infelizmente o link está fora do ar).

Rigorosamente “Old School” já não se pratica há tempos. Quem ouve atentamente álbuns gravados em Clubes de Jazz, por exemplo: o antológico “Sunday at The Village Vanguard - Bill Evans Trio” (NY 1961) ou Jim Hall – Live in Toronto – 1975, reconhece alguns ruídos de conversas e de serviços que vazam para a gravação.

Há pouco tempo recebi um pequeno trecho gravado - sorrateiramente - pelo celular, de uma apresentação em um Jazz Club em NY, e... (surpresa!) lá estava o indefectível som do 'pic pic pic' dos talheres no filet mignon... , em um dos mais famosos clubes de Jazz de NY!!!  

Mas, “Old School” continua sendo meu sonho (impossível?), algum dia chegarei lá!


Small's Club NY

Enquanto isso vamos nos deliciar com uma verdadeira apresentação de "Old School": (com jazz da melhor qualidade)





Marian McPartland (piano), 
meu grande ídolo Joe Morello (bateria) 
Vinnie Burk  (contrabaixo)



domingo, 1 de julho de 2018

BOTH DIRECTIONS AT ONCE (um pé no passado e outro no futuro)



Nos anos 1960 John Coltrane já era talvez o mais influente saxofonista da era “pós-bebop”. Além de carreira solo, colaborava  também em álbuns de outros grandes inovadores de seu tempo como Thelonious Monk (piano) e Ornette Colleman (sax). Esteve presente no “Kind of Blue” o mais importante álbum de Miles Davis
Sua sonoridade e seu estilo “modal” de tocar ouvido em seu Álbum de 1960 “Giant Steps” o colocou como dono de um novo estilo de tocar saxofone que influencia músicos de jazz até hoje.

John Coltrane

Ao lado de sua carreira como inovador, levando o jazz a novos caminhos nunca trilhados, também tocava baladas e os standards, produzindo diversos álbuns no estilo como líder e mesmo colaborando com outros artistas.

Coltrane gravou cerca de 154 Albuns, cerca de 60 como colaborador ou co-líder.

Both Directions at Once - “Um pé no passado e outro no futuro” pode ter sido a melhor definição da obra de John Coltrane.

A Gravação

Em março de 1963 Coltrane estava tocando em uma temporada de 15 dias no clube de jazz Birdland. Iria também gravar o antológico álbum de baladas standards do jazz com o cantor Johnny Hartman no famosíssimo “Van Gelder Studios” . Tocaria com seu quarteto clássico: McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (baixo) e Elvin Jones (bateria).
John Coltrane Quartet no Van Gelder Studios

Mas na véspera da gravação, o quarteto foi ao estúdio e produziu, como que em um ensaio, um robusto material de jazz instrumental, contendo várias composições originais, e outras nunca antes gravadas. Aparentemente a sessão teria sido informal pois, ao final, Coltrane levou o material para casa.

O Álbum Perdido de John Coltrane

As fitas ficaram guardadas por 54 anos com a família de Coltrane até o selo de jazz “Impulse!” obter a permissão para lançá-las comercialmente. O que aconteceu em 29 de junho de 2018.

A obra foi editada em formato LP, CD e Stream, contendo sete composições com material original, dois deles sem nome, vários “takes” alternativos de um mesmo tema, materiais riquíssimos para os “jazzófilos” e interessados em música.
Será também o marco de relançamento do selo de jazz “Impulse!”. - um grande “impulso” para jazz.   

Both Directions at Once, o mais importante lançamento de Jazz dos últimos tempos. 

Nas palavras do grande saxofonista, contemporâneo de Coltrane, Sonny Rollins: “Isso foi como achar uma nova sala na Grande Pirâmide”.

Será também o marco de relançamento do selo de jazz “Impulse!”. Certamente um grande “impulso” ao jazz.   




Playlist de John Coltrane no Spotify

Preparei uma Playlist que apresenta Coltrane dos standards para a inovação. Do passado para o futuro.

Começamos com 2 faixas do Álbum com o cantor Johnny Hartman
depois, 4 faixas com grandes temas imortalizados por Coltrane, sedo os 2 primeiros de sua autoria.



Se você foi até o fim dessa primeira playlist, prepare-se! 
Abaixo está o Álbum Perdido 







domingo, 24 de junho de 2018

PIONEIROS DO JAZZ PAULISTANO



Billy Ponzio – Baterista e Produtor
O Billy Ponzio começou sua carreira em 1989 ingressando no CLAM, a famosa escola do Zimbo Trio. Suas primeiras experiências como músico foram ecléticas. Bandas de Rock Progressivo e outra de Gaitas de Foles Escocesas.

Billy Ponzio

Migrou para o Jazz ao ingressar na Tito Martino Jazz Band, banda dedicada ao estilo de Jazz Tradicional, liderada pelo famoso clarinetista, um dos mais antigos músicos de jazz radicados na capital de S. Paulo.
A Tito Martino Jazz Band congrega jazzistas das novas gerações com grandes músicos veteranos, que ainda estão em atividade.

O Registro dos Pioneiros
Nas apresentações e em tournées, Billy teve oportunidade de tocar e conviver com esses músicos de alto nível e de grande experiência. Resolveu, como se faz hoje em dia, com a ajuda de um “crowd-funding”, produzir reuniões em estúdio de alguns desses pioneiros, tocando seus temas preferidos, acompanhados por uma “cozinha”, (basicamente: piano, contrabaixo e Billy à bateria)

Show de lançamento do CD Os Pioneiros do Jazz

Registrou tudo no CD – Os Pioneiros do Jazz Paulistano e, como se faz hoje em dia, publicou o CD no Spotify
Show de lançamento do CD Os Pioneiros do Jazz

Os Pioneiros do Jazz Paulistano
Os escolhidos pelo Billy foram: 
Hector Costita, Saxofonista e Clarinetista consagrado, radicado no Brasil desde 1958 quando inaugurou a Boate Baiúca em SP. Gravou em 1962 o disco “Dick Farney Jazz” com famoso pianista; foi para o “Beco das Garrafas” formando com grandes músicos da bossa-nova o  Conjunto Bossa Rio liderado por Sergio Mendes, com ele gravou em 1963 o antológico disco “Você ainda não ouviu nada!” – o primeiro disco no gênero “samba-jazz” apreciado no mundo inteiro até hoje;  Gravou discos como líder, em especial o disco de samba jazz “Impacto” liderando um sexteto com alguns temas de sua autoria; contribuiu em vários discos de outros artistas, destacando-se um com o Zimbo Trio e o Guitarrista Heraldo do Monte, com músicas de Milton Nascimento. Atualmente lidera um quinteto se apresentando por todo o Brasil.
LP editado em 1964

André Busic, (Iuguslávia) cornet radicado no Brasil desde 1960. Co-fundador da Traditional Jazz Band, participou da gravação do disco A Era de Ouro do Dixieland com a Traditional Jazz Band em 1975 gravou Jazz para trilha sonora de novela; Tocou diversas temporadas em New Orleans; é líder da banda Hot Line Jazz Band.

A "Era de Ouro" com dedicatória de outro pioneiro, o contrabaixista Daniel Grisanti a esse escriba ;)

Carlos Lima – trompete, brasileiro, formou com a Traditional Jazz Band em 1975 até os anos 1980, participando de diversas gravações, filmes e programas de TV com a banda. É atualmente o trompetista da Tito Martino Jazz Band.

Carlos Lima

Luchin Montoya - piano, natural do Chile, tocou com a Traditional Jazz Band nos primeiros tempos, tocou com muitas formações no cenário do jazz de São Paulo.

Luchin Montoya

Tito Martino - clarineta, brasileiro, formou sua primeira banda de Jazz em 1957; fundador da Traditional Jazz Band; fundador do OPUS 2004 famosa casa de Jazz de São Paulo dos anos 1970 e 80. Líder da Tito Martino Jazz Band, é um importante preservador do Jazz tocado ao estilo de New Orleans em São Paulo.

Tito Martino

Mas Jazz Paulistano – o que é?
Não! O jazz tocado em São Paulo não tem sotaque do Brás e nenhuma característica que o diferencie do tocado em qualquer parte do mundo.
Podemos encontrar a característica do Jazz Paulistano nos músicos que inicialmente o trouxeram para a cidade.

Traditional Jazz Band - a mais famosa do jazz paulistano

Como os próprios pioneiros contam em suas entrevistas, nos idos dos anos 1940, 50 o Jazz não era muito ouvido na noite de São Paulo. Com a exceção das visitas dos músicos estrangeiros que vinham se apresentar, pouco se tocava jazz por aqui
A primeira geração de músicos paulistas que tocavam unicamente jazz foi criada por influência de imigrantes estrangeiros, principalmente europeus do leste que trouxeram de seus países o estilo de Traditional Jazz que lá era muito apreciado, provavelmente devido à grande divulgação da musica popular norte americana durante e após a 2ª. Guerra Mundial. (veja meu Post sobre V-Disk). Podemos até arriscar também a hipótese de que, nos primórdios do jazz, a influência da música europeia era mais marcante, isso pode ter causado naqueles povos, alguma identificação de elementos de suas músicas folclóricas com o jazz e assim passando a incluí-las em seu repertório. Até hoje existem grupos europeus que se dedicam ao Jazz ao estilo “Traditional” inserindo alguns temperos franceses, ciganos, etc.

Traditional Jazz Band no Opus 2004 (anos 1970)

Outra característica dos “Pioneiros Paulistanos” do Jazz foi o diletantismo. Muitos músicos eram universitários que escolheram outras profissões e conciliavam sua atividade profissional com a música. 
Houve uma outra banda, a Swiss College Dixie Band, fundada em 1975 só com integrantes da comunidade suíça de S. Paulo, alguns deles professores da Escola Suiço-brasileira. Tive a oportunidade de integrar a “Swiss College” de 1978 a 1989, sendo eu naquela época o único estrangeiro na banda. A Swiss ainda está em atividade e dela participa seu fundador, Heinz Brunner ao piano, agora com os demais integrantes brasileiros.
Swiss College Dixie Band em sua formação de 1985/86
BetoRocco à Bateria

Encerrando
Billy Ponzio continua sua carreira artística na Tito Martino Jazz Band e atuando como produtor, lançando discos e ganhando prêmios. 
Vejam no site www.billyponzio.com .

Abaixo uma playlist com destaques do CD 
Os Pioneiros do Jazz Paulistano







A seguir links para entrevistas onde alguns Pioneiros contam suas histórias. 
Vale a pena conhecer!

TitoMartino             Hector Costita           André Busic

sábado, 16 de junho de 2018

RADIO ALVORADA K7 01 1988 e antes



Estava preparando um novo texto para o Blog ouvindo a Rádio Alvorada do Dirceu Câmara Leal, Fita 1 de março-abril de 1988...

Não resisti! Preciso compartilhar com vocês! (quem estiver lendo meu Blog pela primeira vez, leia o post anterior primeiro)

Aí está o segundo programa, muito variado, mostrando a sensibilidade do Câmara Leal para música e o talento para produzir um programa que nos faz querer ouvir até o fim.

Com todos os hisses da fita cassete, os humms do equipamento amador e os rumbles e pops dos LPs.  

Para quem nasceu depois da música digital dos CDs, DVDs e Streamers, era assim que ouvíamos música até os anos 1990. 

Quem ainda se arrisca a “pôr para girar no pick-up” um LP de vez em quando como eu, ainda ouve...

Não vou antecipar o roteiro para manter as surpresas do programa.

Clique o “Play” e bom programa!




Post Scriptum:

Tenho sentido muita falta de comentários dos leitores às minhas postagens. Meu amigo Will deu uma pista: parece que quem acessa o blog em endereço “.br” não consegue postar um comentário válido.


Esta semana estou corrigindo o endereço no anúncio:  https://betorocco.blogspot.com “sem o .br” para ver se é por isso que não recebo comentários. 
A ver.

domingo, 10 de junho de 2018

DIRCEU CÂMARA LEAL – UM PIONEIRO



Depois de tocar para minha amiga Tera Leopoldi algumas edições do meu programa de Rádio Web “Estação Jazz” na RádioGeekBR, conversamos sobre apreciação musical. Dias depois, Tera me presenteou com uma coleção de fitas cassete produzidas por um colega professor nos anos 80.

Um Tesouro!

Levei para casa, fui ouvindo uma a uma e percebi que estava diante de um tesouro.

Em 1988, Dirceu Câmara Leal iniciou a divulgação de um “Programa de Rádio”, que seria distribuído a seus “sócios-ouvintes”, com o intuito de compartilhar apreciação musical e poética. Era um programa de rádio mesmo, com música de fundo narrador, vinhetas, etc., onde Câmara Leal iria apresentar e comentar músicas para apreciação. 

O objetivo era utilizar a música para tocar a sensibilidade dos ouvintes. Nas palavras do autor: “Fugir do medo da vida fazendo um som direto, para entrar em contato com vocês, invadir a praia de vocês, invadir a casa de vocês. Vocês serão os nossos cúmplices.” Os programas seriam entregues por meio de fitas cassete que se poderia ouvir em qualquer lugar, no carro, no walkman, em casa, no trabalho, “numa casinha de sapé”... 

Câmara Leal já havia produzido programas semelhantes com sucesso anos atrás, como comenta no próprio “programa zero”. Agora, neste caso, o programa foi editado regularmente por 4 anos e pouco.



Capa da Rádio Alvorada numerada e por sócio

O Sistema - A “Rádio” funcionou assim:

O interessado tornar-se-ia sócio, a partir do envio diretamente ao produtor dez fitas cassete. Isso daria direito a receber a "rádio" por um ano.

A cada 2 meses uma nova edição. O sócio recebia o programa em mãos ou no próprio endereço.

Câmara Leal também incentivava os ouvintes a repassar as fitas para que outros pudessem conhecer e apreciar o trabalho, aumentando assim a quantidade de ouvintes (invadidos).

A “Radio” funcionou por pouco mais de 4 anos, produzindo 26 programas. (fitas de 0 a 25) Tenho em mãos 18 delas!

O Produtor

Tenho poucas informações sobre Dirceu Câmara Leal, professor, um homem das letras influente. Seu poema “Tango” inspirou um Curta Metragem e uma peça de teatro (links para o poema e obras vão abaixo nas referências). Faleceu precocemente. Sem dúvida seu trabalho com a “Rádio Alvorada” o faz precursor dos Podcast’s da internet. Fosse hoje, Dirceu Câmara Leal teria centenas de milhares de seguidores.

A Obra – Ouvir para curtir

No painel abaixo, você meu leitor poderá ter sua praia invadida pela Rádio Alvorada, basta clicar o PLAY.









Caso seja do interesse dos leitores, poderei tornar disponíveis as demais edições da “Rádio Alvoorada" 

Deixe seu comentário ou escreva direto para 0 BetoRocco roberto.rocco@outlook.com 

Referencias: 

https://www.youtube.com/watch?v=yDy7RlPZpPk Walter Quaglia 

https://cachalote.wordpress.com/tag/dirceu-camara-leal/


https://www.youtube.com/watch?v=qQvGgZ_fpBs Rodrigo Cavana


Post Scriptum - Um pequeno histórico da Fita Cassete:

Fita Cassete ou “Compact Cassette”, para os íntimos K7. 

Uma revolução no modo de ouvir música!



Até 1963, para ouvir música de forma mecânica (não ao vivo) era necessário comprar os discos LP, álbuns com cerca de 45 min de música ou  discos Compactos cerca de 10 min. Ou ligar para o programa de rádio e pedir ao Disk Jockey (DJ da época). 
No limite ir à casa de quem tinha o disco e pedir emprestado...

Lançada pela Phillips em 1963, uma fita magnética de ¼ de polegada enrolada dentro de um estojo de plástico e o aparelho gravador/reprodutor portátil, movido à pilha. Um programa de 60 minutos (30 de cada lado). Aparelho baratíssimo, pensado para revolucionar o mercado de aparelhos de ditado para datilógrafas. 



Já vendia nos EUA em 1966, 250.000 aparelhos  e não para ditado mas para permitir ouvir música gravada, para se ouvir em qualquer lugar, “sem precisar comprar”. Bastava copiar do amigo que tinha o LP.

A fita Cassette, pela primeira vez, popularizou as gravações dos mais variados assuntos, coisa que antes só era possível com equipamentos mais complexos pesados, caros, difíceis de manusear.

Com qualidade de som bem restrita, nos 5 a 10 anos seguintes ganhou aperfeiçoamentos nos equipamentos e na mídia chegando a desempenho profissional. Os tape-decks tornaram-se, mais que os toca-discos o equipamento de se ouvir músicas. O Cassete também fez todo mundo ouvir musicas no carro no lugar das rádios FM.

Foi com o K7 também, outra revolução no modo de se ouvir musica, pois tirou dos ambientes fechados e de audição coletiva e a levou à audição pessoal com o advento do Sony-Walkman a partir de 1979.

Sony - WalkMan

Mas, surpresa! Foi também o “compact-cassette” a primeira mídia utilizada para compartilhamento de conteúdo em massa. Com custo baixo tanto da fita quanto dos equipamentos, foi instrumento de disseminação das idéias do Aiatolá Khomeini. No exílio na França e depois em Bagdá, sua mensagem chegava às massas por meio de fitas-cassete gravadas durante conversas ao telefone, preparando as massas para a revolução que viria.